"2010 será um ano muito difícil para a agricultura brasileira. A rentabilidade dos grãos caiu muito e as margens estão apertadas. Hoje é mais barato arrendar a terra do que plantar." A declaração de Roberto Sattler, gerente de cooperados da Agrária Agroindustrial, reflete a principal preocupação dos produtores brasileiros em um ano de safra cheia e preços baixos.
Mesmo em Guarapuava, nos Campos Gerais do Paraná, uma das regiões mais produtivas do país, agricultores temem não conseguir fechar as contas. "Tudo o que o produtor ganha em tecnologia e produtividade, perde na comercialização em um mercado como o de hoje. Nossa única esperança é o dólar", lamenta Sattler.
Alessandro Illich, de Candói, diz que, em volume, vai ter uma safra semelhante à do ano passado. Mas, mesmo com desembolso 10% menor, se prepara para uma queda de cerca de 30% na receita obtida com a safra de verão. Os preços baixos e a inesperada elevação dos custos de produção pressionam a lucratividade da lavoura.
No Paraná, os gastos com a implementação da lavoura caíram 20,5% no milho e 14,6% na soja frente o ano anterior, apurou a Expedição Safra RPC em outubro. Mas em muitos casos a economia feita no início da temporada acabou por água abaixo por causa de doenças que atacaram as lavouras no final do ciclo. Conforme produtores consultados pela Expedição neste mês, o controle de pragas e doenças como a ferrugem asiática elevaram em até 30% os custos de produção.
Quando o assunto é rentabilidade, volume de produção não quer dizer muita coisa, considera o produtor Oilson Miguel Vargas, de Cascavel, no Oeste do Paraná. "A receita do ano passado foi a melhor que eu já tive. No ciclo anterior (2007/08) colhi a minha maior safra, mas ganhei menos dinheiro. Este ano deve ser assim também." (LG)
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