Posição de pilotagem ereta e banco confortável faz com que a motocicleta seja ideal para longas viagens| Foto: Gustavo Epifanio
Painel é simples, mas fornece todos os dados necessários
Lanternas traseiras de LEDs dão um visual diferenciado

Quando foi lançada em 2006, a Kawasaki Versys era classificada pela fábrica japonesa como uma motocicleta "dual purpose", ou seja, de uso misto. Juntamente com a renovação visual para o modelo 2010, que desembarcou em junho no Brasil, a Versys foi elevada à categoria "sport" nos Estados Unidos. Mesmo assim a nova classificação não faz jus ao seu caráter versátil. A Versys traz elementos de motos esportivas, aventureiras e de uso misto, com­­partilhando características de cada um desses segmentos, mas sem se enquadrar perfeitamente em nenhum deles.

CARREGANDO :)

Equipada com um motor de dois cilindros paralelos de 649 cm³, a Kawasaki Versys tem em seus múltiplos usos a principal arma para brigar no concorrido segmento de motocicletas de 600 cc, que tem concentrado a maior parte dos lançamentos nos últimos meses. Da linha Yamaha XJ6 (N e F), apresentada no início de 2010, a BMW G650GS, o mercado está em busca do motociclista que quer evoluir sem exageros: pretende sair da faixa de 250 cc, mas não pode (e muitas vezes nem precisa) chegar aos modelos de 1.000 cc.

Motor elástico

Publicidade

A Kawasaki Versys compartilha o mesmo motor da naked ER-6n (também à venda no Brasil) e da esportiva Ninja 650R. Os dois cilindros paralelos com 649 cm³ de capacidade, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote (DOHC), são alimentados por injeção eletrônica e contam com refrigeração líquida.

Para a Versys, o bicilíndrico foi afinado para oferecer mais torque em médias rotações. Mu­­danças muito bem vindas. Fica no meio termo entre os "torcudos" monocilíndricos e os potentes motores de quatro cilindros em linha. Produz 64 cavalos de potência máxima a 8.000 rpm e 6,2 kgf.m de torque máximo a 6.800 rpm.

Não são números que impressionam na ficha técnica, porém são suficientes para a proposta da Versys. Sem falar que a entrega da potência e do torque são bas­­tante amigáveis para pilotos menos experientes. Afinal grande parte do torque aparece a partir dos 2.000 rpm e já é suficiente para levantar a roda dianteira do chão, principalmente na curta primeira marcha do câmbio de seis velocidades.

O motor também tem um ca­­ráter divertido nas acelerações de 0 a 100 km/h. Os giros e a velocidade sobem rapidamente e garantem uma pilotagem prazerosa. Mas arrancadas fortes co­­bram o preço no consumo: rodamos em média 19 km/ por litro.

Velocidade final e altos giros não são os pontos fortes do bicilíndrico, já que acima de 150 km/h e depois das 7.000 rpm o motor fica um pouco mais "xo­­xo". Mas nada que atrapalhe ro­­dar com a Versys na estrada a 120 km/h com o conta-giros nas 5.000 rotações e com bastante força para ultrapassagens.

Publicidade

Pilotagem

Assim como seu motor, a ciclística da Versys foi adaptada a sua proposta multiuso. Seu quadro tubular em aço do tipo diamante traz um conjunto de suspensões de longo curso. Na dianteira, o garfo telescópico invertido oferece ajustes e 150 mm de curso. Já na traseira, a balança assimétrica conta com um amortecedor posicionado na lateral direita da moto que tem 145 mm de curso. Especificações suficientes para enfrentar os obstáculos do dia-a-dia, como valetas, lombadas e bu­­racos. Porém um pouco bruscas, caso o piloto resolva pega uma estrada de terra com muitas imperfeições.

As duas rodas de 17 polegadas são de liga-leve e calçadas com pneus de perfil esportivo (nas medidas 120/70 na frente e 160/60 atrás). Revelam outra faceta da Versys: sua aptidão pa­­ra contornar curvas com agilidade e rapidez. Apesar de ser uma moto alta, essa Kawasaki gosta bastante de uma estrada sinuosa. Outro benefício das rodas me­­nores que nas trails é sua agilidade em meio ao trânsito urbano. Muda de direção com uma facilidade que nos faz esquecer os 209 kg do peso em ordem de marcha desta versão equipada com sistema de freios ABS.

Os dois discos dianteiros em forma de pétala têm 300 mm de diâmetro e são dignos de motos mais esportivas. Garantem uma frenagem segura com suas pinças de duplo pistão, porém se acionados com força fazem a Ver­­sys "mergulhar" demais, o que pode assustar no início. Na traseira, o disco simples de 220 mm de diâmetro mordido por uma pinça simples cumpre sua função.

Moto faz tudo

Publicidade

Justificando seu nome, derivado das palavras "versátil" e "sistema" (versatile e system, em in­­glês), a Versys é o tipo de moto que faz praticamente tudo que você precisa. Serve muito bem como um veículo de locomoção no dia-a-dia, assim como pode acompanhá-lo em viagens mais longas. Já que sua ciclística faz dela uma moto ágil na cidade, e seu banco largo e a posição ereta a deixam confortável na estrada. Sua autonomia também contribui para longos trajetos: com tanque de 19 litros pode rodar mais de 350 km.

Oferece conforto para rodovias largas e retas, pois traz ainda uma bolha protetora ajustável; assim como ousadia para as estradinhas secundárias de uma serra sinuosa, afinal o conjunto de suspensões, rodas e pneus gostam bastante de deitar nas curvas.

Só não espere que ela enfrente uma esburacada estrada de terra sem reclamar ou que acompanhe seu amigo de superesportiva 1.000 cc. A nova Versys pode ser considerada um moto faz tudo, ou quase tudo.

Importada oficialmente pela Kawasaki desde junho, a Versys só tem dois defeitos, na minha visão: a cor preta como única opção no Brasil (na Europa há também uma versão amarela); e seu preço um pouco elevado se comparado a sua irmã naked Er-6n (R$ 25.550). A versão básica da Versys, sem freios ABS, sai por 33.900, en­­quanto o modelo testado com freios ABS está cotado a R$ 37.390.