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A esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, além do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4) pela Polícia Federal. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à fraude de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos de aposentadorias e pensões do INSS.
A Gazeta do Povo apurou, com fontes a par da investigação, que o senador não é alvo desta fase da operação, mas continua entre os investigados pela Polícia Federal. As ordens judiciais expedidas pelo ministro André Mendonça, Supremo Tribunal Federal (STF), totalizam 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
A reportagem procura os citados como alvos pela operação e aguarda retorno. Willer Tomaz afirmou, em nota, que foi alvo da operação apenas por ser proprietário de uma aeronave utilizada em caráter particular por Weverton Rocha "em viagem já de conhecimento público", e que "não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado" (veja na íntegra mais abaixo).
Já o senador Weverton Rocha creditou a investigação a "ataques" por sua candidatura ao Senado e posições políticas, e criticou os mandados a seus familiares e apoiadores. "Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal", pontuou (veja na íntegra mais abaixo).
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De acordo com a decisão de Mendonça, tornada pública no meio da manhã, Willer Tomaz é apontado como “personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos” de Weverton Rocha, tendo uma relação próxima a ele desde 2023.
A investigação cita indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie. O objetivo dessas práticas seria ocultar a origem e a destinação dos recursos supostamente obtidos com a fraude.
A Polícia Federal apura a origem do dinheiro, a finalidade dos repasses e a participação individual de cada investigado no esquema. A investigação também busca identificar quem se beneficiou dos valores desviados e como os recursos foram movimentados.
As primeiras imagens das apreensões divulgadas pela Polícia Federal apontam uma grande quantidade de dinheiro em espécie de notas de real e uma máquina de contar as cédulas.

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Envolvimento de Weverton com a fraude no INSS
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador Weverton Rocha tenha mantido vínculos com investigados apontados como operadores do esquema e de que possa ter se beneficiado de operações financeiras supostamente ligadas à organização criminosa. O senador nega irregularidades e afirma que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.
Em fases anteriores da operação, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão preventiva de Weverton Rocha, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O magistrado autorizou apenas medidas cautelares, como busca e apreensão, destacando a necessidade de continuidade das investigações para esclarecer os fatos.
Proximidade de advogado com Flávio
Willer Tomaz é citado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e recebeu manifestações públicas de apoio do senador durante a CPI da Covid-19. O advogado também foi preso em 2017 na Operação Patmos, desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F, acusado de intermediar propinas e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com auxílio do então procurador da República Ângelo Goulart Villela, que também foi preso.
A Gazeta do Povo apurou ainda que Tomaz atuou, mais recentemente, na defesa de Flávio Bolsonaro no caso da emissão de notas fiscais de R$ 500 mil para a Copenhagen Consultoria, apontada como empresa de fachada utilizada pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para movimentar cerca de R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas no mesmo período.
Desde o início da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal estima que os desvios provocados pelos descontos irregulares em benefícios do INSS, entre 2019 e 2024, possam chegar a R$ 6,3 bilhões.
O que dizem os citados
Veja abaixo o que disse o advogado Willer Tomaz sobre a operação desta terça-feira (4):
Willer Tomaz, advogado e empresário, esclarece que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.
Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.
A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação.
Veja o que disse o senador Weverton Rocha sobre a operação:
Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques.
Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava, que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família, e até apoiadores políticos.
Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder.
Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal.
Quero ressaltar, que o Ministério Público Federal, foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores.
Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei. Me manterei firme no propósito de lutar pelo Maranhão, ao lado de todos que mais precisam.










