Carmen Maura: "o que não podemos fazer é ter complexo de inferioridade"| Foto: PEDRO REY/AFP

Apesar da desigualdade enfrentada pelo cinema latino-americano na concorrência com as grandes produções norte-americanas, a atriz espanhola Carmen Maura confia que o toque mágico da região servirá para lhe abrir caminho em novos mercados.

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Destacada por seus papéis em filmes do cineasta espanhol Pedro Almodóvar como "Volver" e "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", Maura comentou em entrevista à Reuters que os obstáculos são semelhantes aos enfrentados antes pelo cinema espanhol.

"Os americanos chegam ao país com um filme novo e já venderam bonequinhos do protagonista, já lançaram campanhas, então é uma luta muito desigual, mas o que não podemos fazer é ter complexo de inferioridade, em hipótese alguma", afirmou ela, taxativa.

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A atriz também elogiou a criatividade regional, apontando como Hollywood, cada vez mais, está procurando talentos latino-americanos para trabalhar em seus roteiros e produções.

"A América Latina me chama a atenção porque vocês têm uma série de coisas que não se pode especificar. Vocês têm um caráter diferente, têm histórias que diferem de todas as outras. Há uma espécie de coisa mágica e rara por aqui. É muito diferente", disse.

"A única coisa que me incomoda em trabalhar aqui é a distância que é preciso viajar", prosseguiu em tom de brincadeira.

"PRIMEIROS FILMES"

Maura, que já trabalhou também na Argentina, no Chile e no México, assistiu em Caracas, na noite de segunda-feira, à estréia de "La virgen negra", o trabalho de estréia do venezuelano Ignacio Castillo, que mergulha no gênero do realismo mágico.

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"Gosto muito dos primeiros filmes. Tenho uma quantidade incrível de primeiros filmes em minha história, porque isso me dá energia. Os primeiros filmes sempre têm uma energia especial."

A atriz disse que se sentiu à vontade durante a rodagem do filme, feito na costa venezuelana, mas admitiu que houve algumas limitações. "É um pouco chocante que seja um país tão rico, mas que haja carências tão grandes em algumas coisas. Isso dá um pouco de raiva", observou.

Além de talentos locais, Carmen Maura contracenou em "La virgen negra" com a mexicana Angélica Aragón e o brasileiro Matheus Nachtergale, conhecido por sua participação em "Cidade de Deus".

Vista como "monstro" do cinema espanhol, ela afirmou ter poucas exigências para aceitar um papel.

"Aprendo as falas, obedeço ao diretor, ponho o vestido, e me dão o marido, os filhos, o que houver", disse Maura, que tem 63 anos.

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