
Camila Morgado esteve afastada dos palcos por seis anos, desde que emprestou seus expressivos olhos azuis à doce melancolia da personagem Manoela, na minissérie que a revelou ao país, A Casa das Sete Mulheres (2003).
Até então, era cria do teatro. Formada pela Casa de Artes das Laranjeiras (CAL), com passagem pelo curso de artes cênicas da UniRio, abandonado em troca dos ensinamentos de Antunes Filho, a atriz nascida em Petrópolis atuou por quatro anos como pupila de Gerald Thomas. Chegou, com ele, a fazer tragicomédias, e experimentou o riso em cena de Mamãe Não Pode Saber, dirigida por João Falcão.
Não foi sem alguma aflição, porém, que enfrentou seu retorno ao teatro, na comédia Doce Deleite que apresenta neste sábado e domingo, no Teatro Positivo. "Não me sentia à vontade (em papéis cômicos) e nem sei dizer se eu me sinto ainda. Quando fui fazer essa peça, senti um pouco de dificuldade por estar tanto tempo sem fazer teatro e, segundo, porque só estava fazendo personagens dramáticos. Fiquei um pouco apreensiva, mas passou rapidamente", disse em conversa por telefone com a reportagem da Gazeta do Povo.
Leveza
A variedade de personagens leves, todos tipos cômicos transitando do humor mais escrachado ao sofisticado, aliviou o peso de ter-se fixado no imaginário público como uma intérprete de mulheres densas e sofridas. Em vez disso, Camila se diverte, canta e dança, em companhia do colega de espetáculo, o ator Reynaldo Gianecchini.
Juntos, se desdobram em doze personagens ligados, de alguma forma, ao mundo do espetáculo, como a bilheteira e o contra-regra, num esforço constante digno de dupla de futevôlei, sempre atentos para não deixar a bola cair.
"A Marília Pêra (diretora) trabalhou muito isso, porque somos só os dois em cena. Se não tivermos um bom timing, não vai funcionar. Um tem que segurar a onda do outro. Um conta uma piada para o outro cortar", diz Camila.
A atual diretora atuou na primeira montagem do texto, ao lado de Marco Nanini, nos anos 1980. Um sucesso da época áurea do besteirol brasileiro, escrito (e agora reescrito) por Alcione Araújo. Dessa vez, Marília orquestrou a dupla de jovens atores para dar conta de fazer o público rir e as notícias que chegam das cidades por onde a peça já passou são de que surtiu efeito.



