Em meio a um festival de reminiscências da década de 80 - DVD com imagens de Cazuza em programas de TV, CD com gravações antigas, pré-Legião Urbana, de Renato Russo, caixa dos 25 anos do RPM -, a Blitz, outro ícone daqueles anos, mostra que não quer mais (apenas) olhar para trás. Depois do CD/DVD "Ao Vivo e A Cores", do ano passado, com clássicos blitzianos como "Betty Frígida", "A Dois Passos do Paraíso" e "Você Não Soube me Amar", Evandro Mesquita e sua turma estão preparando um disco só de inéditas.
A banda está na fase de pré-produção das músicas, e deve entrar em estúdio ainda este mês. O CD - que possivelmente se chamará "Skut Blitz" (skut = escute) e sairá em dezembro ou em janeiro - terá parcerias novas, com gente como Erasmo Carlos, Leoni, Pato Fu e o baiano Marcio Melo. "Abrimos o leque, mas sem perder a originalidade e o suingue da Blitz", disse Evandro por telefone, na semana passada.
Da leva recente, cita "Procura-se Um Herói" (sua com Luie): "Apertem os cintos/ Perdidos na trilha/ Vamos botar uma pilha e tirar/ Esses carecas de Brasília/ Muita corrupção/ Só dá ladrão/ Com a mão no nosso bolso/ Que desilusão!" "Baseado em Clarice" (Evandro/Rogério Meanda) é bem ao estilo que consagrou o grupo carioca: "Tudo começou/ Quando eu ajudei a carregar a sua mala/ Ela disse: Obrigada!/ E eu: Tudo bem... A gente se fala!/ Antes que eu saísse ela disse: Meu nome é Clarice."
Diz a letra da música "Vida Mansa" (Evandro/Marcio Melo): "A vida me fez viver assim/ Tudo que eu quero é você pra mim/ Aonde você mora?/ Em que você trabalha?/ Quem você namora?/ Me diz onde cê malha/ A vida é um desfrute/ Me aceita em seu orkut." "Continuamos a fazer crônicas do cotidiano", contou o vocalista.
A formação atual da banda tem Billy Forghiery nos teclados, Juba na bateria - ambos da Blitz de 25 anos atrás -, Andrea Coutinho e Luciana Spedo nos vocais, Rogério Meanda na guitarra e Claudia Niemeyer no baixo (ela tocou com a Blitz ainda na formação que tinha Lobão na bateria, e depois saiu), além de Evandro na guitarra, violão e vocais. "É a melhor formação. A energia do dia-a-dia é sensacional. Todo mundo está contente. Não tem mais crises de egos", acredita o eterno garotão, que ainda tem o maior prazer de se jogar na estrada.
Nos shows, é claro que não ficam de fora hits do naipe de "Weekend" e "Mais Uma de Amor" (Geme, Geme). Mas revisitá-los em disco, não mais - ao que parece. "Fechamos esse ciclo. A gente já passou por esse caminho. Agora o que interessa é o presente e o futuro próximo. A banda está com uma pegada surpreendente. Não fazemos um showzinho retrô", garante o cantor/ator. "Mas claro que tenho o maior prazer de tocar os clássicos. Os Stones vêm aqui e tocam 'Jumping Jack Flash', 'Honky Tonk Women', Bob Dylan também, U2... Tem uma garotada descobrindo a Blitz, e eles botam lenha nessa chama."



