
Coragem, determinação e disciplina. Esses foram alguns dos itens que a bailarina curitibana Nayara Lopes fez questão de colocar em sua bagagem além de inúmeros colants e sapatilhas, claro quando deixou sua família, no ano passado, com destino à Nova Iorque.
Primeira bailarina brasileira a ser contemplada com uma bolsa integral de um ano na escola do American Ballet Theatre (ABT), uma das melhores companhias de dança do mundo, Nayara deixou o Brasil com apenas 17 anos e sem falar quase nada em inglês.
Após 12 meses de aulas de balé e do idioma a bailarina está de volta ao Brasil para férias de três meses. Na bagagem de volta vieram, além da saudade da família e do desejo de comer um bom pão-de-queijo, a pronúncia perfeita da língua inglesa (com direito a um leve sotaque nova-iorquino) e a técnica ainda mais apurada do balé clássico, que ela estuda desde os 6 anos. "A recepção foi muito boa. Os professores me trataram com muito carinho e cuidado", conta a garota, agora com 18 anos completos.
À dedicação dos professores do ABT, Nayara respondeu com muito empenho e dedicação, fatores que levaram a escola a estender a bolsa da bailarina por mais um ano, com grandes chances de, ao final desse período, ser convidada para integrar a companhia profissional do American Ballet Theatre, da qual já fez parte o russo Mikhail Baryshnikov.
"Eles querem alunos que tenham foco e que sejam determinados. Da evolução nas aulas, ao desempenho no palco, tudo é avaliado", conta Nayara, que teve a oportunidade de dançar para a primeira-dama Michelle Obama, durante a noite de gala do ABT, realizada em maio, no Metropolitan Opera House. "Ela é muito simpática e mais alta do que eu imaginava", revela a bailarina que, na mesma noite, foi assistida por uma plateia que incluía ainda Anna Wintour, Carolina Herrera e Caroline Kennedy.
E o balé não dá trégua a Nayara nem durante as férias. Instruída pelos professores do ABT, a bailarina voltou a fazer aulas na Escola de Dança do Teatro Guaíra (EDTG), para não perder o condicionamento físico. A bailarina também aproveita o tempo que passa no Brasil para correr atrás da conclusão do ensino médio, que ela interrompeu poucos meses antes do término, quando se mudou para Nova Iorque. "Assim terei chances de cursar uma faculdade de dança quando voltar a Nova Iorque, já que o ABT tem convênio com várias instituições", planeja.
Mas todos os sonhos da bailarina dependem de algo que, para ela, é o que difere o balé brasileiro do norte-americano: patrocínio. "Os brasileiros estão no mesmo patamar que os melhores bailarinos americanos. A grande diferença é que nosso país quase não investe em dança, enquanto que lá, o balé é visto com muito respeito por todos, ou seja, não faltam estímulos financeiros", compara.
Com a ajuda da mãe, Ilza, e da irmã, Liza, ambas envolvidas com os trabalhos de uma ONG que visa a levar o balé a crianças de comunidades carentes, Nayara busca apoio para conseguir as passagens para Nova Iorque. No ano passado, a bailarina teve apoio do Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense), que cedeu as passagens aéreas e das empresas das bailarinas Ana Botafogo e Cecília Kersh, que doaram utensílios necessários às aulas de balé. Desta vez, Nayara torce, com todas as forças, para contar com a mesma sorte.



