
Katy Perry adora ser a garota excêntrica do pop, a rebelde que não se censura e não tem vergonha de causar polêmica com canções como "Ur So Gay" e "I Kissed a Girl". Mas, por todo o seu sucesso ao longo do ano, ela espera que músicas como seu mais recente número 1, "Hot n cold", mostrem que ela tem mais a oferecer do que controvérsia.
"É minha personalidade descolada e insolente", diz Katy, que recentemente foi indicada ao Grammy. "Você vai me ver fazendo as coisas mais diferentes. Talvez você não espere isso, mas é o tipo de coisa que eu gosto de fazer."
Oferecer o inesperado foi um fator-chave para que Katy Perry se tornasse uma das revelações do pop em 2008. Enquanto "Ur so gay" canção sarcástica sobre um ex-namorado que usa calças mais justas do que as de sua garota tornou-se um sucesso alternativo, foi a sua igualmente grudenta "I kissed a girl", sobre um beijo lésbico, a responsável por reunir fãs no mainstream, tornando-se o maior sucesso do último verão nos Estados Unidos.
"Ela não tem medo de sair dos moldes e dizer coisas picantes", diz o cantor e compositor Butch Walker, que colaborou com Katy em algumas faixas de seu álbum mais recente, "One of the boys". "Ela leva um pouco do underground para a cultura de massa, e isso é o que a vende como diferente", analisa.
E esse era o papel que Katy esperava ter na música pop. A garota de 24 anos, filha de pastores e criada cantando músicas cristãs antes de se mudar para Los Angeles como aspirante a artista, achava a maioria das cantoras pop entediantes.
Bonequinha de luxo
"Fiquei desapontada com a personalidade e a consistência delas", diz. "Elas eram meticulosas demais com tudo. Qual é a graça de estar no pop ou no rock se você é uma bonequinha fabricada?"
Mas Katy Perry achava que a personalidade colorida, a voz forte e as canções bem aparadas não seriam garantia de estrelato. Apesar de ter trabalhado com produtores de renome, como Glen Ballard e The Matrix, ela teve de bater de porta em porta antes de fechar um contrato com uma gravadora.
"Ela foi contratada e demitida duas vezes antes do álbum sair", conta Walker. "Cheguei a pensar que aquelas músicas nunca veriam a luz do dia."
A própria Katy pensou em desistir. "Toda vez que eu pensava que talvez uma garota tomaria o meu lugar, eu ia vê-la e pensava não, ainda há um espaço a ser preenchido", lembra a cantora..
Agora que ela já preencheu a lacuna, ela olha para trás e vê a sua trajetória como um símbolo de honra. E deixa uma mensagem para aquelas que pretendem ser a próxima Katy Perry: ache uma identidade própria.
"Quando comecei, aos 17 anos, em Los Angeles, o hit do momento era Complicated, e todos queriam que eu escrevesse outra Complicated", diz Katy sobre a canção de Avril Lavigne. "E eu dizia: aquela é ela, esta sou eu. Todos gostam dessa música, e com certeza vão gostar da minha também."



