Em Toda Forma de Amor, pai e filho encontram a paixão de maneiras diferentes| Foto: Divulgação
Guerreiro aborda o universo das lutas clandestinas de MMA

Rio de Janeiro - Rivais na disputa pelo Oscar de melhor ator coadjuvante na noite de ontem, Guerreiro (Warrior), com Nick Nolte, e Toda Forma de Amor (Beginners), com Christopher Plummer, tiveram o mesmo destino no Brasil: foram excluídos do circuito exibidor. O lançamento de ambos ficou restrito às locadoras, em DVD. O drama esportivo com Nolte na pele de um alcoólatra treinador de lutas MMA acaba de chegar às lojas. Já a comédia dramática sobre o viúvo (Plummer) que assume a homossexualidade após a morte da mulher entrou em locação no fim de 2011.

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"O histórico dos filmes de gênero similar ao de Guerreiro nos cinemas do Brasil é muito ruim, e isso fez a gente optar por ir direto ao vídeo", explica Marcos Scherer, diretor-geral da Imagem Filmes.

Diretor-geral da Paramount Pictures no Brasil, Cesar Silva conta que o DVD de Toda Forma de Amor já havia sido prensado quando Plummer despontou como o favorito ao prêmio de coadjuvante.

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"Ao avaliarmos o filme, apesar de suas qualidades artísticas, percebemos que ele teria um potencial pequeno até para o circuito de arte. Mesmo quando a indicação ao Oscar chegou, não valeria a pena reposicioná-lo, pois era difícil estimar sua receita", diz Silva.

Guerreiro e Toda Forma de Amor engrossam uma fila crescente de longas estrangeiros que acabam vetados na sala escura por critérios comerciais, mesmo tendo um elenco de prestígio. O mesmo caso ocorreu com o policial Anti-heróis (The Son of No One), de Dito Montiel, que reúne Al Pacino e Juliette Binoche no elenco. Para a Imagem Filmes, foi menos arriscado limitar o longa ao formato DVD. Sob o selo Swen, a distribuidora deu o mesmo destino a 50% (50/50), que concorreu ao Globo de Ouro, no quesito comédia, nas categorias melhor filme e ator (Joseph Gordon-Levitt).

"O DVD representa uma parcela importante do negócio no audiovisual. Existem aproximadamente 6 mil lojas de locação em todo o Brasil", diz Scherer.

Polêmicos

Na remessa recente de longas destinados apenas às locadoras entram filmes que causaram polêmica em festivais. É o caso de O Assassino em Mim (The Killer Inside Me), apresentado em concurso no Festival de Berlim de 2010 pelo inglês Michael Winterbottom, e de O Dublê do Diabo (The Devil’s Double), que o neozelandês Lee Tamahori exibiu em Sundance em 2011.

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Indicado à Palma de Ouro, Vingança, do chinês Johnny To, surpreendeu a crítica no Festival de Cannes de 2009. Mesmo assim, a Califórnia Filmes achou prudente deixá-lo de fora do circuito. A Sony tomou a mesma decisão em relação ao "thriller" Hanna, com Cate Blachett; à comédia 30 Minutos ou Menos (30 Minutes or Less), com Jesse Eisenberg, e ao drama musical Onde o Amor Está (Country Strong), com Gwyneth Paltrow.

"Quando a estimativa de receita de um filme é inferior ao orçamento de despesas de comercialização, o mesmo tende a ser lançado diretamente no mercado de entretenimento doméstico", diz Rodrigo Saturnino Braga, diretor-geral da Sony Pictures no Brasil.