Terceira idade
Atores falam sobre as vantagens de envelhecer
"A velhice não existe, só para algumas pessoas. O corpo definha, mas a cabeça vai melhorando", afirma o diretor Domingos de Oliveira, 72 anos, durante entrevista concedida em Gramado, para divulgar Juventude.
O ator Paulo José, 71 anos, conta que se cuida muito para retardar a velhice. "Tenho mal de Parkinson há 16 anos. Não posso fumar. É só hoje, de brincadeira", diz, justificando que, para viver, precisa fazer pequenas negociações com ele mesmo.
Ele explica que, mesmo fora da garantia, tanto ele quanto os amigos, Domingos de Oliveria e Aderbal Freire-Filho, continuam inquietos. "A gente vive o dia-a-dia. Além disso, temos a certeza de que já fiz o melhor que pude, então, não há frustração." (AV)
Gramado - Na última quinta-feira, três senhores mostraram ao público do 36° Festival de Cinema de Gramado que juventude não é uma questão de idade: Domingos de Oliveira, 72 anos, Paulo José, 71, e, o mais novinho, Aderbal Freire-Filho, 67.
Eles interpretam três amigos, espécie de alter-egos deles mesmos, em Juventude, último trabalho de Domingos de Oliveira, que estreou na mostra competitiva do festival. O diretor e Paulo José estavam presentes na sessão e foram aplaudidos em pé pela platéia emocionada.
Domingos é conhecido por produções que retratam o universo feminino como Feminices (2005) e Separações (2002). "É um filme de homem, mas as mulheres estão lá na visão deles", explica. Personagem de boa parte de seus próprios filmes, como Woody Allen, o diretor quis se unir a dois grandes amigos para retratar aspectos da velhice masculina, mas "sem nenhum saudosismo".
O filme retrata um dia na vida de David, Antonio e Ulisses, que se reúnem na mansão luxuosa do judeu David (Paulo José) para jantar, falar da vida e relembrar a velha amizade tão antiga quanto a de seus intérpretes.
A relação entre o trio é definida por Domingos com uma bela frase: "A amizade aparece mais do que as cores do filme". E olha que as cores se destacam na fotografia de Dib Lufti, também septuagenário, que, entre outras produções, realizou Terra em Transe, de Glauber Rocha.
Em uma das cenas, os personagens vestem-se com paramentos vermelhos para reviver a peça A Ceia dos Cardeais, do português Julio Dantas, que interpretaram juntos nos tempos de escola. A cor aparece estourada na tela assim como a luz que entra pelas janelas nas cenas iniciais, efeito obtido por Lufti ao optar pela luz natural.
O principal desafio, conta o diretor, foi unir um ator, um diretor e um diretor teatral, já que cada um pensava a cena de acordo com a sua função costumeira. "Meus amigos são ótimos artistas", conta.
Filmado em linguagem inteiramente digital , a produção levou tempo para ser finalizada. Foi complicado montar o excesso de material obtido durante as filmagens. "É um filme difícil de ser feito, já que é uma grande crônica. O texto é importante. O que importa não é a história, mas a maneira como ela é contada", diz.
Realmente. Os diálogos, que são a base do filme, mesmo cômicos, emocionam e fazem com que o público, seja de que idade for, se identifique com as situações vivenciadas pelos personagens. "Tenho mania de investigar as faixas etárias. Desta vez, falo sobre homens de 70 anos, para quem a morte não é mais uma abstração", conta.
Mas homens são sempre homens, mesmo diante da proximidade do fim. Há uma cena em que Antonio, personagem de Domingos, diz a David: "Se eu morrer, diz para a Pink (sua primeira esposa) que eu semprei a amei. Mas, se eu não morrer, chama a Eugenia (sua atual mulher, de 20 anos) para vir cuidar de mim".
A repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado.
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