Silio Boccanera (à dir.), ao lado do sociólogo Steve Fuller: centenas de entrevistas ao longo de 30 anos| Foto: Divulgação

Litercultura

José Paulo Cavalcanti Filho e Silio Boccanera leem Fernando Pessoa

Palacete Sociedade Garibaldi (Praça Garibaldi, 12, São Francisco), (41) 3527-5400. Hoje, às 19h30. Ingressos gratuitos podem ser retirados no local uma hora antes do início do evento. Sujeito a lotação.

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O jornalista e escritor carioca Silio Boccanera atua como correspondente no exterior há mais de três décadas. Há alguns anos, um de seus principais trabalhos como jornalista é entrevistar escritores, historiadores, cientistas e pesquisadores para os programas Milênio e Sem Fronteiras, do canal pago Globonews.

Na noite deste domingo, Silio e o escritor João Paulo Cavalcanti Filho, autor de Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia (Record, 2011), vão fechar o Litercultura lendo textos do poeta luso. Leia na entrevista abaixo o que o repórter perguntaria ao poeta:

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Neste domingo, vocês lerão textos de Fernando Pessoa. Qual a importância dele na sua vida?

Fernando Pessoa passou a existir com mais força para mim depois de ler a longa, completa e esclarecedora biografia dele, escrita por José Paulo Cavalcanti, um apaixonado pelo poeta português. É deste livro que ele e eu vamos tratar no Litercultura.

Fosse entrevistá-lo, qual pergunta você não deixaria de fazer para o poeta?

Preciso mesmo navegar? Quem o leu sabe a que me refiro. E quem for ao evento de logo mais aprenderá que a famosa frase sobre navegar e viver não é original de Pessoa.

O Litercultura é um evento que tentou debater muito a experiência da leitura. Como você despertou para a leitura? Houve um momento especial?

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Meu gosto pela leitura, como o de muita gente, vem da adolescência, mantido depois como jornalista em movimento pelo mundo. Muitas vezes, em coberturas jornalísticas tensas, o alívio no fim do dia vinha da leitura de ficção, que me permitia entrar num universo diferente do que transcorria em volta. A importância de eventos como o Litercultura é justamente a de alimentar esse gosto pelo livro, sobretudo entre os mais jovens. É a hora de fisgá-los para o que começa como hábito e depois se transforma em prazer.

Você teve a oportunidade de entrevistar muitos dos mais importantes escritores da atualidade. Há uma técnica especial para falar com escritores?

A única técnica que conheço para se entrevistar escritores é a mesma para uso com advogados, contadores, cientistas, médicos, políticos, e assim por diante: curiosidade. Políticos, na verdade, exigem uma técnica adicional: desconfiança.

Há alguma entrevista especial, algum momento marcante de uma destas entrevistas?

Nada que mereça destaque. Às vezes você conversa com uma personalidade famosa e morre de tédio, enquanto o papo com um cidadão anônimo, desperta entusiasmo.

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Além do trabalho como jornalista você teve uma experiência como autor de ficção em Jogo Duplo (1997). Como foi estar do "outro lado"? Há outro livro no forno?

A ficção em Jogo Duplo foi experiência passageira e não tenho planos de repeti-la. Não por arrependimento, mas porque ficção não é bem a minha praia como forma de escrita. Quem leu o livro, sabe que tinha muita base factual, em cima da experiência de um correspondente brasileiro em ação no exterior. Não é autobiográfico, mas tem muito a ver com a realidade de quem pratica jornalismo.