Pixinguinha. Biscoito Fino. Preço médio: R$ 29,90.
Pixinguinha e Seu Tempo é um tesouro. Reúne 14 gravações do compositor, regente, arranjador e instrumentista, um dos pais da música popular brasileira. Gravações do ínicio do século 20 foram digitalizadas e remasterizadas para o projeto Princípios do Choro, lançado em 2002 e hoje disponíveis no Instituto Moreira Salles.
De Pixinguinha, foram feitos três CDs, agora compilados num único álbum, que acaba de ser lançado pela Biscoito Fino, com uma gravação de 1923 ("Mi Dêxa Serpentina"), um dos períodos mais ricos da carreira do músico, quando fazia parte do conjunto Os Oito Batutas, criado por ele. A estréia do grupo, logo após o carnaval de 1919, foi um estrondoso sucesso. Apesar das críticas ao repertório popular e à presença de músicos negros em um recinto aristocrático (Cinema Palais, no centro do Rio de Janeiro, onde tradicionalmente se apresentavam músicos eruditos), o conjunto contou com o apoio de figuras importantes da sociedade, como o letrado político Rui Barbosa o "Águia de Haia" e o compositor Ernesto Nazareth.
O Pixinguinha intérprete de flauta do período de 1919 (ainda da fase mecânica das gravações) até 1930 se mostra em dez faixas, entre elas o clássico "Carinhoso". As três últimas músicas do CD ("Mexe com Tudo", "Urubatan" e "Sururu na Cidade") apresentam o Pixinguinha arranjador.
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CD
We Sing, We Dance, We Steal Things
Jason Mraz. Warner Music. Preço médio: R$33,90.
Parece que Jason Mraz não leva a sua música tão a sério. Mas isso não quer dizer que We Sing, We Dance, We Steal Things, terceiro álbum do norte-americano de 31 anos, tenha que ser ignorado. Pelo contrário. Sua música, aparentemente despretenciosa, mescla folk, pitadas de jazz e até "hip-hop funkeado", criando um pop-rock sólido, impossível de ser ignorado. No CD, há a batida praieira de Jack Johnson, mas sem sua monotonia característica. É reconhecível também o power pop e o piano de Ben Kweller catalisados pela voz marcante de Jason, que canta letras irônicas e por vezes engraçadas.
É um dasafio não cantar junto logo no segundo refrão de "Im Yours", segunda faixa do álbum: hit instantâneo. Mraz usa e abusa de "tchururus", "parapapás" e "dadadás", como uma criança que brinca com um presente que acabou de ganhar. Na balada "Lucky", divide os vocais com Colbie Caillat, jovem e talentosa promessa. Em "Details in the Fabric", a mais séria do disco, é o britânico James Morrison quem o acompanha. Mas já na seqüência batidas eletrônicas ganham a faixa "Coyote" o aproximando do que fazem Mika e Sam Sparro , devolvendo o brilho peculiar a We Sing, We Dance, We Steal Things.
Jason Mraz foi descoberto por John Alagia, que já trabalhou com nomes como John Mayer e Dave Matthews Band. O bem-apadrinhado rapaz já deixou de ser promessa, mesmo que nem ele saiba disso.
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Livro
Valfierno
Martín Caparrós. Companhia das Letras, 352 págs., R$ 49. Romance.
Em 1911, roubaram a Mona Lisa, o quadro de Leonardo da Vinci, do Museu do Louvre. Num golpe de mestre, um argentino encomendou seis cópias impressionantes da obra-prima e as ofereceu para milionários inescrupulosos. Todos os seis pagaram fábulas de dinheiro achando que estavam adquirindo o original, mas este retorna ao museu tempo depois do roubo. A partir desta história incrível (e real), o argentino Martín Caparrós constrói a narrativa de Valfierno e cria uma biografia para o criminoso astuto que realizou um dos maiores golpes do século 20. No romance, ele é o filho de uma empregada doméstica que vai de menino dócil a adulto presidiário, de comerciante sonhador a vendedor de falsificações. Até que deixa a Buenos Aires da belle époque para se tornar o marquês Eduardo de Valfierno em Paris, na França. O escritor Alberto Manguel afirmou que seu conterrâneo, Caparrós, é um dos autores "mais ousados" e "mais apaixonantes" da atual literatura em língua espanhola. Valfierno venceu o prêmio Planeta em 2004 e é o primeiro livro de Caparrós, de 51 anos, a ser publicado no Brasil.
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DVD
MTV Unplugged
Julieta Venegas. Sony BMG. Preço médio: R$ 44,90.
Cinco álbuns lançados, quatro milhões de cópias vendidas e um Grammy latino de melhor disco pop em 2007 (por Limón y Sal) talvez ainda não tenham sido suficientes para a cantora Julieta Venegas se tornar conhecida dos brasileiros.
Afinal, do lado de cá da fronteira, pouco se ouve da música latina contemporânea. E, se é assim, uma boa maneira de descobrir o universo pop com pitadas regionais dessa cantora e compositora, nascida nos Estados Unidos, mas criada no México, são suas aproximações com os artistas daqui.
Foi o que aconteceu em 2006, quando ela conquistou alguns fãs falantes do português ao cantar com Lenine a faixa "Miedo", do projeto acústico dele. E é o que se repete agora, com o lançamento no Brasil do DVD Julieta Venegas MTV Unplugged, brindado com a participação de Marisa Monte no dueto bilíngüe "Ilusión". Um dos melhores momentos do show, em sua mescla de sucessos passados a canções inéditas.
Mais um brasileiro marca presença no espetáculo: o maestro Jacques Morelenbaum, que dividiu a direção do disco com Julieta e toca violoncelo em "Cómo Sé". Ela recebe ainda o argentino Gustavo Santaolalla (premiado autor da trilha sonora de O Segredo de Brokeback Mountain/i.
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Livro
O Lobo de Wall Strett
Jordan Belfort. Planeta, 502 págs, R$ 59,90. Autobiografia.
Jordan Belfort, um dos homens mais influentes no mercado financeiro norte-americano durante a década de 1990, resolveu passar a própria vida a limpo. Em O Lobo de Wall Street, ele conta a sua ascensão e queda. De menino pobre a todo-poderoso do banco de investimentos Stratton Oakmont, do auge financeiro à ruína.
O que impressiona, sobretudo, é a fluência do texto. O autor tem absoluta clareza do que deseja contar. E faz uma narrativa impressionante. Revela, por exemplo, o que está por trás da roda-viva das bolsas de valores. Corrupção, manipulação da imprensa econômica, especulação e assim por diante.
Nos dias atuais, em meio ao desmoronar do império econômico norte-americano, a leitura deste livro pode apontar para algo: talvez alguém esteja ganhando, e muito, com a queda das bolsas. Jordan, em outro contexto, foi um desses espertalhões. E ele usou, ou melhor, "torrou" muito de sua fortuna em drogas. Uma vez na Suíça, em meio a operações de lavagem de dinheiro, chegou a fretar um avião para atravessar o Oceano Atlântico apenas para receber uma mala com 40 comprimidos de uma droga sintética. Em tempos de glória, voava completamente drogado pelos céus de Nova Iorque em noites de insônia.



