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Conhecida como terra dos papangus, Bezerros, a 107 quilômetros do Recife, no agreste, não quis correr o risco, este ano, de ser criticada pela ausência dos mascarados que fazem sua fama e diferenciam o seu carnaval. A prefeitura distribuiu 1,5 mil kits da fantasia - que incluiu a máscara e a túnica com as quais os foliões cobrem todo o rosto e o corpo para brincar incógnitos.

Do total, 550 kits foram entregues a servidores municipais e 950 a turistas, de acordo com a secretária Municipal do Turismo, Valquíria Lizandra de Lima. "É uma forma de incentivar a tradição", afirmou. O publicitário recifense Henrique Melo, 32 anos, foi um dos que ganharam a fantasia. "Nunca tinha vindo aqui e estou impressionado", elogiou ele, que foi conferir o carnaval da cidade com um grupo de amigos. "É realmente um carnaval diferente, mais colorido, com muito papangu."

Os polos de frevo e de forró do carnaval do papangu foram destaques da festa deste domingo (19), dia do desfile dos mascarados pelas ruas centrais da cidade. "Ano que vem vou voltar", garantiu Melo.

Com uma população de cerca de 60 mil habitantes, a expectativa da prefeitura é a de receber mais de 300 mil pessoas nos quatro dias de carnaval.

Origem

Uma das versões da origem do papangu vem da época da escravidão, quando os escravos vestiam fantasias de corpo inteiro para participar de bailes de máscaras nas casas dos senhores de engenho. No início do século 20, a brincadeira teria se firmado no carnaval quando grupos começaram a se vestir e se mascarar para o carnaval inspirados na época escravocrata. No carnaval, os mascarados, de grande apetite, pediam comida e bebida nas casas. Como lhes serviam angu, comida à base de milho, passaram a ser chamados de papangu.

No início as máscaras eram confeccionadas com papelão e papel de embrulhar carne. Hoje são feitas geralmente em papel machê. O importante da brincadeira é manter a fantasia sob sigilo para não ser reconhecido na festa.

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