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Mesmo sendo um documentário, José e Pilar (veja horários das sessões; atenção a data de validade da programação em cinza) é um dos filmes mais românticos a que se pode assistir -- porque a força do amor de mais de duas décadas entre o escritor português José Saramago (falecido em junho de 2010) e a jornalista espanhola Pilar Del Río afirma-se pela capacidade que o diretor português Miguel Gonçalves Mendes mostra ao capturar momentos qualificados desse relacionamento.
Coprodução entre o Brasil, Espanha e Portugal, o filme entra em circuito nacional. Todos conhecem, mal ou bem, alguma coisa sobre o José Saramago vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998 -- único, até agora, para a língua portuguesa --, autor de livros como "Memorial do Convento", "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "Ensaio sobre a Cegueira" (levado às telas do cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles, um dos produtores deste documentário), "o Evangelho segundo Jesus Cristo", "Caim", e tantos outros.
O homem sincero e humanista que despertava polêmica em alguns círculos por sua completa adesão ao ateísmo e ao esquerdismo. Convicções essas que levaram não poucos a dirigir-lhe cartas assustadoramente agressivas -- como uma mencionada no filme, em que uma pessoa "lamenta que não exista mais a inquisição, para vê-lo arder em praça pública numa fogueira".
Nem todos conhecem tão bem quanto este documentário permite agora o caráter de Pilar Del Río, que emerge das imagens muito maior do que a mera "mulher atrás do grande homem".
Personalidade forte, tão franca e engajada quanto o marido, Pilar mostra-se uma interlocutora à altura de Saramago, com quem ele discutia todos os assuntos. Uma conselheira para todas as horas, com capacidade de discordar dele furiosamente -- como se vê numa conversa entre os dois, na casa de amigos, sobre as então iminentes eleições norte- americanas, ele a favor da candidatura de Barack Obama, ela defendendo com unhas e dentes Hillary Clinton, que então disputava com o hoje presidente a indicação pelo Partido Democrata.
Seja na paisagem de beleza selvagem da ilha de Lanzarote, onde o casal viveu nos últimos anos, seja viajando pelo mundo, é possível compartilhar a rotina fértil e frenética do escritor e da jornalista -- que traduzia para o espanhol os livros do marido, quase simultaneamente à sua escritura.
Para Pilar, numa declaração singularmente esclarecedora de sua natureza, "cansaço não existe". Por isso, ela e Saramago aceitavam tantos convites para palestras, congressos e o acompanhamento de algumas adaptações de sua obra em outros meios.
Duas destas viagens comprovam o enorme alcance da obra do autor português -- uma ópera na Finlândia, sobre personagens tirados de "Memorial do Convento"; e uma peça no México em torno de "As intermitências da morte", em que Saramago contracena, no próprio papel, com o ator Gael García Bernal.
Uma conversa com Bernal e diversos lançamentos de livros permitem testemunhar alguns comportamentos espantosos diante da celebridade, este um inquietante mal de nossos tempos. Os mais constrangedores estão nos pedidos exóticos dos fãs do escritor. O mais estranho deles, talvez, o de um jovem brasileiro, que pede a Saramago que lhe desenhe um hipopótamo no livro que está para autografar.
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