O governo anunciou nesta quarta-feira que pretende abrir o capital da Caixa Seguradora, uma das empresas na área de seguros em que a Caixa Econômica Federal tem participação minoritária. A estratégia é criar uma holding que reunirá todas as participações da Caixa em empresas de seguros e seus sócios privados. Feito isso, a Caixa fará a abertura de capital (IPO) da holding, nos mesmos moldes do BB Seguridade, braço de seguros do Banco do Brasil.
O processo tem dois objetivos: reforçar a posição da Caixa no segmento de seguros e também o caixa do Tesouro, para assegurar o cumprimento da meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de R$ 66,3 bilhões, equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Com a nova modelagem, a Caixa controlará a holding e manterá a participação nas seguradoras e corretoras.
“A Caixa continuará 100% pública, mas a atividade de seguros, que hoje já tem sócio privado, abrirá o capital. Essa é uma possibilidade de aumentar a presença da Caixa num segmento importante da economia e, ao mesmo tempo, aproveitar a vitalidade do mercado de capitais”, explicou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Segundo o ministro, a ideia é começar imediatamente os estudos sobre a operação de abertura de capital de modo que ela seja realizada ainda em 2015.
A presidente da Caixa, Miriam Belchior, destacou que a atual participação do banco como sócio minoritário em várias empresas não explora inteiramente o potencial do mercado de seguros no Brasil.
“Há um potencial enorme em jogo, e, para a estratégia da Caixa, é fundamental se apropriar de parte dele. A Caixa tem um valor gigante que está subaproveitado com a atual estrutura societária”, disse a presidente da Caixa, acrescentando que a operação será boa para os clientes do banco, pois aumenta a capilaridade dos serviços de seguros no país.
Arrecadação
Com o IPO, o governo espera repetir o sucesso que o Banco do Brasil teve com a abertura de capital do BB Seguridade. Realizada em 2013, ela arrecadou R$ 11,5 bilhões, maior volume atingido por uma empresa brasileira desde 2009. Com o ganho de capital para o BB, o governo recolheu R$ 3 bilhões em tributos, ajudando a realizar o primário daquele ano.
“A ajuda do BB Seguridade (para o primário) foi por meio de uma arrecadação maior da Receita Federal. Se esse movimento de oferta pública revelar que a Caixa teve valor maior que o hoje registrado nos livros, esse montante pode ser tributado”, afirmou Levy, que acredita que haverá apetite do setor privado no negócio.
Segundo ele, a “resiliência do preço das ações do BB Seguridade nos últimos seis meses” é sinal disso.