Banho de cinco minutos vai consumir só 2 litros de água

No futuro, o chuveiro poderá funcionar como uma cápsula, dotada de sensores, na qual a pessoa entra e recebe jatos de vapor conforme faz movimentos. E, ao invés de consumir 26 litros de água – volume necessário para um banho de cinco minutos – vai gastar apenas dois litros. O Fog Shower – chuveiro de névoa (imagem) –, criado pelo estudante do penúltimo período de Desenho Industrial da PUCPR João Diego Shimansky.

Schimansky explica o chuveiro de névoa utiliza o mesmo princípio do inalador, que reduz o fluxo de água a micropartículas, criando vapor. A água é aquecida e emitida sob a pressão a um vaporizador ultra-sônico e forçada através das placas perfuradas do metal. Um sistema inteligente de sensor aponta o vapor de água em ângulos diferentes dependendo dos movimentos da pessoa dentro do chuveiro.

Além de reduzir o consumo da água, o chuveiro conserva também a energia, já que há menos água para aquecer. Além disso, a criação utiliza fontes de energia renováveis, tais como as que derivam dos painéis solares ou do poder do vento.

Schimansky conta que a idéia surgiu a partir do fato de que muitos produtos da casa desperdiçam, em sua maioria, água e energia. "Levei em conta que diversos lugares do mundo já sofrem com a falta da água, como é o caso do Nordeste do Brasil, onde as pessoas tomam banhos com cerca de 2 litros de água.

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O desenvolvimento de um chuveiro que consome dez vezes menos água e funciona por meio de um sistema a vapor colocou o estudante curitibano João Diego Schimansky, de 21 anos, na final do concurso mundial de design da Electrolux. A gigante sueca, segunda maior fabricante global de eletrodomésticos – atrás da norte-americana Whirlpool – realiza, desde 2003, uma disputa anual entre alunos de design de diversos países para criar os "eletrodomésticos do futuro", que poderão chegar ao mercado nas próximas décadas.

Julio Bertola, diretor de design para América Latina, explica que a competição foi uma forma encontrada para "injetar sangue novo" na empresa e para descobrir novos talentos. A Electrolux mantém quatro centros de desenvolvimento no mundo – um deles no Brasil – responsáveis por criar os produtos que serão lançados pela marca nas próximas décadas.

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"Atualmente as grandes empresas de eletrodomésticos possuem processos tecnológicos muito semelhantes, utilizam praticamente os mesmos fornecedores e matérias-primas muito similares. O que diferencia uma marca da outra é o design, a proposta do produto e o serviço. Precisamos saber o que faz um consumidor adquirir um eletrodoméstico", diz Bertola.

O concurso deste ano, cuja etapa final ocorre em Paris, no dia 28, tem como proposta criar eletrodomésticos ecologicamente corretos para os lares de 2020. Entre as invenções apresentadas, além do chuveiro do estudante brasileiro, estão um refrigerador em formato de colméia que economiza energia, um fogão que utiliza energia solar, uma máquina de lavar que já vem com detergente natural e uma pia de cozinha e lava-louças que dispensa o uso de detergente.

Muitos conceitos apresentados nas edições anteriores da competição – somente em 2006 foram 4 mil alunos e 88 países participantes – viraram projetos e estão em fase de desenvolvimento para serem oferecidos ao consumidor final. É o caso de um sapato-aspirador, que "limpa o chão" enquanto o consumidor anda pela casa, que está sendo transformado em protótipo.

O desafio, de acordo com Bertola, é criar aparelhos tecnologicamente avançados que possuam boa aparência, dispositivos fáceis de operar – que as pessoas comuns possam entender sem precisar mergulhar em grossos manuais de usuários –, duráveis e que sejam ambientalmente sustentáveis. Os projetos apresentados na edição de 2007 do concurso teriam que ser ambientalmente sonoros, comercialmente viáveis e sugerir a adoção de um comportamento sustentável no uso do produto.

Com foco na redução de consumo, o Fog Shower, desenvolvido pelo estudante brasileiro, por exemplo, usa apenas dois litros de água para um banho de cinco minutos comparado aos 26 litros necessários para os mais eficientes chuveiros econômicos existentes no mercado atualmente. "A questão da sustentabilidade vai dominar na pauta da inovação para a indústria de eletrodomésticos", diz Bertola.

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Nos últimos cinco anos, a Electrolux vem investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento. Hans Sträberg, executivo de 50 anos que comanda a multinacional desde 2002, transformou o tema da inovação em uma espécie de "mantra" da Electrolux ao redor do mundo, com ampliação dos recursos voltados para a criação de novos produtos.

A verba direcionada para pesquisa e desenvolvimento passou de 0,8% do faturamento bruto em 2002, para 1,8% e deve chegar a 2% nos próximos anos. Nos últimos tempos, por volta de 160 mil entrevistas foram realizadas em todo o mundo para basear as escolhas de lançamentos de produtos. Os resultados já começaram a aparecer. Com a pesquisa, a proporção de lançamentos que resultaram sucesso de vendas passou de 25% para 50%.