São Paulo - Incertezas em relação às perspectivas econômicas para Grécia, Índia e China voltaram ontem a preocupar os mercados internacionais. Diante da instabilidade, investidores preferiram vender ações no último pregão da semana.
O resultado foi uma queda de 1,25% ontem no Ibovespa, termômetro dos negócios com ações no país, que encerrou o dia marcando 68.828 pontos. Na semana, a bolsa sofreu retração de 0,74%, mas no acumulado deste mês ainda soma um ganho de 3,50%.
A Grécia continuou a chamar a atenção dos mercados. A indefinição sobre um possível pacote de auxílio financeiro pela comunidade europeia permanece como uma sombra nos mercados mundiais. Embora a economia desse país tenha importância periférica dentro da zona do euro, economistas temem um "efeito dominó" sobre outras nações problemáticas caso a situação grega piore.
Profissionais de mercado também citaram a elevação dos juros na Índia como outro fator que derrubou as bolsas. "Essa medida provocou a desvalorização das commodities, porque trouxe dúvidas se não vai diminuir o consumo. E a nossa bolsa é muito influenciada pelos preços das commodities. A alta do juros também despertou temores de que outros países talvez estejam um pouco atrasados nesse sentido, afirma Marcelo Mattos, da mesa de operações da corretora Geraldo Correa.
A decisão do Banco Central brasileiro de manter a taxa básica de juros em 8,75%, nesta semana, foi recebida com algum desconforto no mercado. Para uma parcela de investidores e analistas, o BC perdeu uma oportunidade de iniciar o ciclo de alta da taxa básica, num cenário em que a trajetória da inflação já preocupa.
No mercado de câmbio, o dólar comercial foi vendido por R$ 1,799, em um avanço de 0,55% sobre a cotação da quinta-feira. Apesar da alta ontem, o dólar ainda recua 0,44% em março. No ano, a valorização da moeda americana atinge 3,21%.



