Paralisadas, as negociações comerciais globais se encaminham para um "profundo problema" e podem levar os países a assinarem acordos comerciais individuais, disseram os EUA nesta quarta-feira.
Muitos países estão dispostos a desistir da chamada Rodada Doha das negociações globais caso não surjam novas propostas ambiciosas para a abertura de mercados agrícolas e industriais, disse a representante comercial dos EUA, Susan Schwab.
Novos textos-base estão sendo redigidos em Genebra, onde fica a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), na esperança de retomar a Rodada Doha, praticamente abandonada depois do colapso das discussões de junho na Alemanha reunindo EUA, Brasil, Índia e União Européia.
"Acredito que, se forem textos de baixa ambição, estamos com um profundo problema em termos da Rodada Doha", disse Schwab a jornalistas em Cairns, onde participa de uma reunião com ministros de Comércio dos 21 países do grupo Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
"Se o nível de ambição for insuficiente, acho que muitos países vão dizer: 'Ei, é melhor eu negociar meus acordos bilaterais e regionais"', afirmou.
Os grupos de negociação da OMC devem divulgar dentro de duas semanas os novos textos sobre indústria e agricultura. As declarações de Schwab devem ampliar a pressão para que a OMC continue tentando convencer grandes países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, a abrirem seus mercados agrícolas e industriais.
A Rodada Doha das negociações globais foi lançada há seis anos, com estimativas de que poderia injetar 300 bilhões de dólares na economia mundial e tirar milhões de pessoas da pobreza.
Schwab disse que os EUA vão continuar comprometidos com a negociação global. "Estamos preparados para fazer a contribuição que precisamos fazer para ajudar a obter um resultado bem-sucedido e ambicioso", afirmou.
De acordo com ela, a reunião da Apec, primeiro grande encontro de ministros desde o colapso do G4 na Alemanha, pode representar uma contribuição importante para a retomada da Rodada Doha.
A reunião também vai discutir formas de desenvolver uma zona de livre-comércio na Ásia e no Pacifico, já como prevenção a um eventual fracasso da Rodada Doha.
Os países da Apec representam mais de 60 por cento do PIB mundial e cerca de 50 por cento do comércio.
Schwab disse que a reunião da Apec vai discutir formas de unificar vários pactos regionais e bilaterais e pode levar à criação de um grupo de países economicamente mais liberais que fariam a "exploração" para um acordo maior.
"Faria um enorme sentido ver um acordo comercial de integração econômica que abrangesse toda a Ásia-Pacífico."
Escalada internacional do embate entre Moraes e direita evoca sanções inéditas ao juiz
Desaprovação ao governo Lula dispara enquanto Tarcisio cresce para 2026; acompanhe o Entrelinhas
Congressistas dos EUA votam proposta que pode barrar entrada de Moraes no país
Mudanças em ministérios indicam guinada do governo para petismo ideológico
Reforma tributária promete simplificar impostos, mas Congresso tem nós a desatar
Índia cresce mais que a China: será a nova locomotiva do mundo?
Lula quer resgatar velha Petrobras para tocar projetos de interesse do governo
O que esperar do futuro da Petrobras nas mãos da nova presidente; ouça o podcast