A criação de novas vagas desacelerou. Veja o resultado por setores da economia |
A criação de novas vagas desacelerou. Veja o resultado por setores da economia| Foto:

Setor aquecido

Registrados na construção civil superam 3 milhões

Com a contratação de mais 196.554 pessoas no primeiro semestre, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil brasileira superou a marca de 3 milhões, de acordo com pesquisa mensal do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), realizada em conjunto com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Apenas em junho foram contratados 37 mil trabalhadores, com o nível de emprego na construção subindo 1,25% em relação a maio. Em 12 meses houve expansão de 8,89% no indicador, somando 247.079 contratações.

Em nota, o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, diz que a pesquisa mostra que o setor continua crescendo e sem dúvida será um dos responsáveis pelo avanço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, mesmo diante da crise financeira internacional. Segundo Watanabe, não há contradição no maior volume de contratações em meio à diminuição no ritmo de venda de imóveis. "Estamos empregando mais trabalhadores para realizar obras já contratadas. Além disso, as contratações não são apenas para as obras do setor imobiliário, mas também para outros segmentos, como infraestrutura, construção industrial e habitação popular", ressalta.

Do total de 3.026.011 trabalhadores com carteira assinada no setor em todo o país, mais da metade (1.556.361) está no Sudeste; 634.247 no Nordeste; 421.833 no Sul; 237.357 no Centro-Oeste; e 176.213 no Norte.

Agência Estado

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A geração de empregos formais sofreu desaceleração acentuada no mês de julho, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. O número de postos com carteira assinada nos sete primeiros meses deste ano foi 15% menor se comparado com o mesmo período de 2010. No Paraná, o recuo foi um pouco mais fraco: -10,3%.

Em julho, o saldo de emprego – admissões menos demissões – foi de 140 mil vagas, 22,6% menos que as 181.796 vagas de julho de 2010, mas com expansão de 0,38% em relação a junho de 2011. O resultado fica distante do recorde para o mês (203.218 postos, em 2008).

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Apesar de a desaceleração no mercado de trabalho já ser confirmada pelos índices, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantém a projeção de que a economia brasileira será capaz de gerar 3 milhões de novos empregos no acumulado de 2011. Ele sustenta que a criação de postos no segundo semestre será maior que no primeiro. "Este ano, teremos comportamento diferente do visto no ano passado", diz o ministro, salientando que em 2010 as três esferas de governo não puderam contratar por causa das eleições – no entanto, mesmo em 2011 a contribuição da administração pública no total de novos empregos é inferior a 2%.

Os últimos prognósticos do ministro erraram o alvo. No mês passado, Lupi afirmou que o saldo de julho deste ano seria maior que o de julho de 2010. Na semana passada, no Rio de Janeiro, o ministro revisou a previsão, dizendo que o resultado seria "parecido ou idêntico" ao do mesmo período do ano passado.

Cenário positivo

Para o professor do departamento de Economia da UFPR Luciano Nakabashi, ainda que o governo não atinja a meta de 3 milhões de empregos, o saldo dos próximos meses continuará positivo. "Com­parar o saldo de 2011 com os números do ano passado não é uma comparação muito justa, já que 2010 foi o ano de recuperação da crise. Os números mostram que a economia brasileira ainda está em fase de expansão. Gerar empregos, ainda que em ritmo menor, é muito significativo em um contexto em que muitos países lutam para criar novas vagas e não conseguem", avalia.

O diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desen­volvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, acredita que o comércio e a indústria ajudarão a criar vagas, pautados pelas vendas de fim de ano. "O crescimento mais forte no Paraná [de janeiro a julho] foi no setor de serviços, com 38,8 mil vagas, seguido pela indústria de transformação e comércio. Esses segmentos devem continuar puxando o saldo de emprego formal no segundo semestre", prevê.

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Para Suzuki, os maiores riscos para o emprego estão no cenário externo – com um eventual agravamento da crise – e no aperto nas políticas monetária e fiscal no cenário interno. "São fatores de preocupação, mas não ingredientes recessivos. Pode haver um crescimento não tão acentuado. Mas a perda de vagas não está no horizonte", acrescenta.