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Energia

Grupo paulista quer comprar termelétricas em dificuldade

Pode vir de São Paulo a solução para as dificuldades de três usinas térmicas do interior do Paraná que, afundadas em dívidas de R$ 166 milhões, estão em processo de recuperação judicial. A companhia paulista Arbeit anunciou que pretende comprar as unidades, e sua proposta parece ter sensibilizado os credores do Grupo Winimport, proprietário das termelétricas. A fim de avaliar melhor a oferta, eles suspenderam na semana passada, por 30 dias, a assembleia em que decidiriam se aceitam ou não o plano de recuperação apresentado pela Winimport. A decisão foi remarcada para 7 de julho.

As usinas usam como combustível resíduos de madeira – matéria-prima abundante nas regiões Centro-Sul e Campos Gerais, onde estão instaladas – e foram avaliadas por uma empresa independente em R$ 130,2 milhões. A Arbeit não revela o valor de sua proposta, mas ressalta que, se assumir as termelétricas, terá de fazer "um grande trabalho de manutenção" e novos investimentos – o que dá a entender que ofereceu menos que o apontado na avaliação.

"Nos propomos a pagar 30% em dinheiro, e os 70% restantes virão do fluxo de caixa resultante da operação das usinas", conta o presidente da Arbeit, Oscar Muller. "A operação é viável. Mas, no momento, as usinas estão paradas, e usinas desse tipo não podem parar totalmente. Têm de ficar em ‘stand by’, girando a velocidades mínimas para não comprometer os equipamentos. Por isso, teremos que desmontar e remontar todas elas e também fazer novos investimentos." A Arbeit administra sete pequenas centrais hidrelétricas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e uma no Paraná, em Jaguariaíva (Campos Gerais).

Das três termelétricas da Winimport, duas já foram construídas e chegaram a funcionar, empregando 48 pessoas no total. A unidade de Imbituva entrou em operação em agosto de 2006. Tem capacidade instalada de 11,5 megawatts (MW), potência capaz de abastecer uma cidade com 30 mil habitantes. A de Guarapuava tem potência de 12,3 MW e entrou em operação em outubro de 2008. A Winimport chegou a comprar caldeira e geradores para a terceira usina, de Inácio Martins, mas não concluiu sua construção. No momento, nenhuma delas está funcionando.

Dívidas

O maior credor da Winimport é o banco alemão KfW, que emprestou 45,5 milhões de euros (R$ 125,7 milhões) para a compra dos equipamentos. Pendências trabalhistas somam R$ 135 mil e os demais credores, entre eles empresas às quais a Winimport deixou de fornecer eletricidade, têm direito a receber pelo menos R$ 40,4 milhões. O advogado da Winimport, Rodrigo Ramatis Loureço, esclarece que o valor definitivo dos débitos, sujeito a juros e correções, ainda será calculado.

A companhia atribui suas dificuldades a atrasos de vários meses na entrega dos equipamentos para as usinas, o que impediu a geração de receitas e o pagamento de compromissos nos prazos previstos. Outro problema teria sido a crise que as madeireiras do estado atravessam desde 2005. Elas reduziram produção e, portanto, o volume de resíduos encaminhados às termelétricas. Com a queda na oferta, afirma a Winimport em seu plano de recuperação, "os ‘rejeitos’ da indústria madeireira passaram ao status de ‘subproduto’ com valor comercial, aumentando consideravelmente o custo operacional [das usinas]".

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