Análise
ICMS baixo será a principal arma na atração de empresas
Ainda no mês de março, Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul reuniu representantes dos municípios do interior para discutir a política de redução do ICMS para as pequenas cidades, como forma de atrair investidores. Cada município tem já o seu "índice de incentivo industrial" definido, mas que ainda precisa do aval da Fazenda para ser conhecido em detalhes. Além disso, o governo estadual também estuda o aumento no financiamento para os empreendedores e a consolidação dos arranjos produtivos locais.
Para o presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, a interiorização do setor industrial do Paraná segue no caminho certo. "Apesar de a lógica da distribuição das indústrias ser concentradora, determinada pelas decisões do setor privado, existem hoje no Paraná condições institucionais que podem vir a favorecer uma maior distribuição dos novos investimentos", considera. Para o presidente da Federação das Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, é necessário que essa interiorização, que ele acredita que deva acontecer em médio prazo, seja acompanhada de planejamento. "Há algumas décadas atrás houve um boom de crescimento no Paraná e a concentração de indústrias foi incentivada. O que ainda trava o investimento no interior é a falta de infraestrutura. É inadmissível que desde a criação dos pedágios até hoje existam estradas sem duplicação no estado."
Perto de 92% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerado pelo setor industrial no Paraná está concentrado em 19 cidades, principalmente Curitiba e região metropolitana. Para equilibrar a distribuição de investimentos industriais no estado, o governo e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) defendem alternativas, como a redução tributária sobre os empreendimentos instalados no interior e a melhoria da infraestrutura.
A industrialização no estado começou na década de 70 e, com as fábricas, os moradores do campo começaram a migrar para as cidades. O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito no Paraná em 1980 comprova essa tendência: 4,5 milhões de pessoas moravam nas cidades, enquanto que 3,1 milhões viviam no campo. Hoje, a realidade é outra. Apenas 1,5 milhão de paranaenses dos 10,4 milhões registrados pelo Censo de 2010 vive na área rural.
É a população do campo, no entanto, que aparece como a maior oferta de mão de obra para os investidores industriais que apostam no interior. Em Palmeira, na região dos Campos Gerais, cerca de 40% da mão de obra é de origem agrícola. A estimativa é da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que comemora os investimentos recentes na cidade.
A Probel Colchões e Estofados vai investir R$ 36 milhões na construção de uma planta fabril no distrito industrial do município. A cerca de três quilômetros dela, será construída a Kürten Madeiras, que vai empregar R$ 40 milhões na construção de uma fábrica. Os empreendimentos ganharam o terreno e a terraplanagem da prefeitura. Juntos, os dois investimentos vão gerar 395 empregos diretos. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Palmeira, Jaudeth Hajar, os reflexos do investimento industrial são sentidos em todos os setores. "O comércio e a economia de modo geral passam a sentir os efeitos da industrialização dentro de uns dois anos", comenta.
Para qualificar as pessoas que vão ocupar esses postos de trabalho, a prefeitura licitou a construção de uma escola técnica do sistema Sesi-Senai onde funcionava a antiga estação ferroviária do município.
Proximidade de matéria-prima é principal trunfo de municípios
Palmeira é cortada pelas rodovias BR-277, que dá acesso a Curitiba, e PR-151, que leva a Ponta Grossa. A logística e a proximidade dos fornecedores de matéria-prima foram os pontos que pesaram na escolha da cidade pela Kürten. "O município foi escolhido pela posição estratégica e central, próximo aos produtores de madeiras ecologicamente corretas principal matéria prima a ser utilizada por nossas fábricas e, ainda, pelo rápido acesso a malha viária, o que facilita a logística no transporte dos produtos", explica o gerente-administrativo, Edson Marcos.
A matéria-prima também foi um argumento da Cargill para a escolha de Castro, nos Campos Gerais, para a edificação de uma fábrica de amido e adoçante, no valor de R$ 350 milhões, para a entrada em operação em 2013. A região é rica produtora de milho.
É a matéria-prima também que vai motivar a instalação da Klabin um investimento de R$ 6,8 bilhões, o maior do Paraná nos últimos anos nas regiões dos Campos Gerais e Norte Pioneiro. A sede do empreendimento, que deverá ser construída até 2014, ainda está em estudo e deve ficar em uma de 12 cidades. Em um acordo inédito, o ICMS industrial será repartido entre os 12 municípios do entorno da fábrica.
Vocações
Além da logística e da oferta de matéria-prima, outro fator que pode alavancar a interiorização da industrialização são os arranjos produtivos locais. Em Rolândia, no Norte, por exemplo, a Dori Alimentos estuda investir R$ 31,9 milhões na expansão da fábrica de doces instalada no município, enquanto que a Selmi indústria de massas vai destinar R$ 80 milhões na construção de uma unidade fabril prevista para entrar em operação em julho deste ano. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ernesto Pereira, acredita que a logística atraiu os investimentos. "Temos um canal de escoamento muito bom para o centro-oeste e para o sul do país, mas também o que tem nos ajudado é a própria vocação econômica para o setor de alimentos", aponta Pereira. Nesse sentido, o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, vê uma saída para o fomento da industrialização no interior. "É preciso reforçar as aptidões regionais e o governo precisa criar mecanismos para isso", diz.
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