As empresas brasileiras de tecnologia focadas na prestação de serviços financeiros - ou fintechs - devem atrair novos aportes significativos de investidores até dezembro. A conclusão é do relatório Venture Pulse Q3 2019, da KPMG, que aponta as principais tendências, oportunidades e desafios enfrentados pelo mercado.
O segmento, considerado área de investimento especialmente quente em toda a América Latina, teve momento extraordinário no Brasil no segundo semestre, destacadamente a partir do anúncio de dois meganegócios com investidores internacionais: o aporte de US$ 400 milhões recebido do fundo americano TVC pelo Nubank, em julho, e os US$ 250 milhões injetados no QuintoAndar pelo grupo japonês SoftBank, em setembro .
A atratividade do país, de acordo com o sócio-diretor da KPMG Raphael Vianna, tem relação com características de mercado que colocam o Brasil em vantagem ante os vizinhos latinos quando são avaliados por investidores de capital de risco.
Primeiro ponto que vem à mente é o tamanho. Apesar de haver atenções voltadas para outros mercados quando se pensa no segmento financeiro, o Brasil representa 75% da América Latina, oportunidade gigantesca para o desenvolvimento de negócios escaláveis. Há também a considerável fatia de brasileiros desbancarizados. Um em cada três cidadãos brasileiros não têm relação com bancos, somando-se a eles ainda o potencial de outros clientes ou correntistas, que fazem utilização mínima de produtos financeiros ou têm baixo acesso a crédito.
Aqui, Vianna analisa que "é um mercado concentrado ainda, e a gente tem uma diferença muito grande entre a taxa de risco e a taxa em que as pessoas conseguem captar dinheiro. O Brasil está com uma taxa de risco de 5,5% ao ano e as pessoas captam a 2%, 3% ao mês, o spread bancário muito grande", pontua o diretor da KPMG ao traçar um panorama que pode se beneficiar do aumento de concorrência.
Quarto trimestre e adiante
Com base no cenário observado até o momento em 2019, a perspectiva é de que fintechs brasileiras recebam novos investimentos até o final do ano com o incentivo não só do perfil do país, mas também do recuo histórico dos juros, que deve seguir. "Essa queda de juros, no Brasil e no mundo, está gerando muita liquidez nos mercados, então os investidores estão dispostos a correr cada vez mais risco. Quanto mais baixa for essa taxa, mais investimento a gente vai ver", antecipa, "eu espero um quarto trimestre muito forte para venture capital".
Mais a frente, a partir de 2020, a chegada definitiva dos pagamentos instantâneos ao dia a dia do brasileiro também será oportunidade para acelerar o amadurecimento do ambiente - item fundamental para alavancar aportes e novidades. "Os bancos são estruturas muito tradicionais, existe muito espaço para uma disrupção nesse tipo de mercado", comenta Vianna.
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