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Automóveis

Nissan planeja carro "popular" de R$ 30 mil para o Brasil

Crise e potencial do mercado nacional atraem novos investimentos. Montadora quer 5% do mercado até 2012 e concorrerá com a Renault

Linha de produção do Nissan Livina, em São José dos Pinhais (PR) | Divulgação
Linha de produção do Nissan Livina, em São José dos Pinhais (PR) (Foto: Divulgação)

Há apenas oito anos no Brasil, a montadora japonesa Nissan ainda se "esconde" atrás dos veículos utilitários Frontier, X-Trail e Pathfinder, embora tenha lançado no país o sedã Sentra e o hatch Tiida. Mas a história começa a mudar. A montadora acaba de lançar o monovolume Livina, trará a versão de sete lugares Grand Livina na metade deste ano e já prepara um carro de entrada, que deverá ser produzido no país entre 2010 e 2011.

O presidente da Nissan do Brasil, Thomas Besson, não precisou datas, mas confirmou que o carro deverá custar cerca de R$ 30 mil. "A gente sabe que para atuar forte no Brasil precisa estar presente no mercado de populares", observa Besson, ao lembrar que os carros populares representam mais da metade das vendas no Brasil. Besson também não revela a motorização do veículo. "Neste momento, o mais importante não é a motorização, mas sim desenvolver um projeto que tenha o custo final acessível ao consumidor", observa.

A decisão de tirar o foco da montadora dos utilitários e passar para os veículos de passeio é justificada por Thomas Besson pelo potencial do país, ou seja, a crise tornou o Brasil atrativo para os investimentos de longo prazo. "O Brasil possui um grande potencial de mercado, porque a maioria da população não tem carro", diz. Embora critique a má distribuição de renda, Besson destaca que o país tem margem para corte da taxa básica de juros, a Selic, o que estimularia o crescimento econômico. "Mercados como o dos Estados Unidos já estão saturados", ressalta.

O presidente da Nissan do Brasil também destaca a rápida iniciativa do governo ao reduzir o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros novos. "Isso foi fundamental para o mercado reagir à crise", observa em relação à confiança que o país passou às montadoras. Em relação à medida, Besson acredita que o governo irá prorrogar a redução e retira-la paulatinamente.

Aposta

Com apenas 1% de participação no mercado nacional, o investimento no Livina - o carro-chefe da mudança - prevê crescimento de market share entre 1,6% e 1,7% até o fim deste ano. A empresa também promete o lançamento do Grand Livina e do motor flex nos modelos Tiida e Sentra para atrair mais consumidores. Somada todas estas mudanças ao futuro carro de entrada, a montadora pretende alcançar 5% do mercado nacional até 2012. Se a perspectiva se confirmar, a companhia terá uma fatia maior que a parceira Renault tem atualmente no Brasil.

O aumento da escala de produção também abre margem para a empresa tornar a fábrica brasileira uma plataforma de exportação para o Mercosul, como hoje é o México, que possui como principal cliente o mercado norte-americano.

Todas as mudanças, até mesmo o início da produção no Brasil de um veículo popular, significam assumir uma concorrência com a Renault, com a qual a Nissan divide o complexo industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). Para Besson, a nova fase será um "bom desafio".

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