O Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão responsável pela gestão da geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, insistirá para que a termelétrica UEG Araucária entre em funcionamento nas próximas duas semanas, mesmo com a recuperação no nível dos reservatórios na Região Sul. A Copel, empresa que detém 80% de participação na UEG, diz que atenderá ao pedido do ONS, deixando a estrutura pronta para ser ligada de forma emergencial no início de setembro.
Nas duas últimas semanas, o nível dos reservatórios das hidrelétricas da Região Sul subiu quase 7 pontos porcentuais. Em julho, os lagos das usinas estavam em média com 31% da capacidade um terço do volume registrado no mesmo mês de 2005. Os dados do ONS coletados no último domingo indicam que os reservatórios da região têm pouco mais de 37% da capacidade.
A melhoria no cenário, que começou a ficar mais delicado com a falta de chuvas a partir de maio, foi mais intensa nos rios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. No Paraná, a seca continua preocupando o ONS. Os dois maiores reservatórios do Rio Iguaçu estão baixos. O lago de Salto Santiago está com 13,4% da capacidade e o de Foz do Areia está com 24%.
Como o Iguaçu representa 55% da energia que pode ser acumulada no Sul, o ONS manterá sua estratégia de usar as usinas do Sudeste para abastecer Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hoje, cerca de 65% da demanda no Sul é atendida pelos estados do Sudeste. Além disso, as usinas térmicas do Sul continuarão ligadas, apesar de terem custo de produção mais elevado que o das hidrelétricas.
De acordo com o ONS, a entrada da UEG Araucária no sistema é necessária para reduzir o risco da operação no Sul. As linhas de transmissão que ligam a região ao Sudeste trabalham perto do limite da capacidade, que é de 6 mil MW.
"A tendência de redução nos níveis dos reservatórios foi inibida", diz Ana Rita Mussi, gerente do Centro de Operações do Sistema Elétrico da Copel. "Mas a recuperação no Rio Iguaçu foi pouco expressiva, o que explica o cuidado do ONS", completa. A geração nas usinas da Copel no Iguaçu atende hoje cerca de 17% da demanda da companhia. Em algumas épocas do ano, quando o rio está cheio, esse porcentual chega a 100%.
Negociação
A entrada da UEG no sistema colocaria à disposição do ONS uma potência de geração de 480 MW, cerca de 5% da demanda no Sul. Segundo especialistas, a viabilidade da termelétrica dependerá muito de uma negociação que envolve a Petrobras, sócia no empreendimento e fornecedora de gás, e o Ministério de Minas e Energia. O consultor e ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes avalia que a Petrobras terá dificuldade para abastecer toda a demanda da UEG, caso a usina tenha de funcionar a plena carga. "A oferta de gás está apertada. No mercado há dúvidas sobre a capacidade de se atender a UEG sem se deixar outros clientes na mão", comenta.
O consultor Ivo Pugnaloni, diretor da Enercons, diz que a negociação também terá de alcançar um equilíbrio entre a remuneração da UEG e um preço viável para o consumidor. "A energia térmica é mais cara que a hidrelétrica. Se a Copel tiver de comprar da UEG, seus custos subirão e isso se transformará em uma tarifa mais cara", analisa. "Por isso o ONS só pedirá que a UEG forneça para o sistema elétrico em uma situação extrema."
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