
O aumento do número de carros e das restrições para estacionar nas ruas centrais da cidade transformaram os estacionamentos em negócios cada vez mais lucrativos. Sem uma regulamentação que delimite os valores máximos, o reajuste anual dos preços foi equivalente a pouco mais que o dobro da inflação no período.
Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,28% nos últimos 12 meses, o preço médio cobrado pelos estabelecimentos aumentou 11,08%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O cálculo do instituto leva em conta o comportamento da atividade apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, mas o mercado curitibano seguiu a tendência nacional. A Gazeta do Povo consultou 12 estacionamentos da cidade e constatou que o preço médio da primeira hora cobrada passou de R$ 7 para R$ 9 (reajuste de 29%) e o valor da mensalidade, de R$ 180 para R$ 200 (alta de 11%) na maioria dos estabelecimentos.
Por outro motivo, os estacionamentos de Curitiba estão na mira do Procon-PR e do Ministério Público do Paraná: muitos estariam desrespeitando a lei da cobrança fracionada (leia texto nesta página).
Para o dirigente do sindicato dos estacionamentos (Sindepark), Kisamur Wolf, o aumento dos preços cobrados é "natural", tendo em vista o crescimento a frota, que chegou à marca de 1,2 milhão de automóveis na cidade: "É o mercado que dita. Os estacionamentos só seguem essa tendência". Segundo ele, tais preços são necessários para garantir a subsistência dos negócios. "Grande parte são estacionamentos pequenos, com pouca estrutura e alto gasto em aluguel e seguro", diz.
Lucros
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR), Curitiba mantém 452 estacionamentos funcionando legalmente, com uma média de cinco empregados registrados cada. Nessas condições e com um seguro anual estimado em R$ 15 mil para estacionamentos com 50 vagas, a margem de lucro equivale a mais de 100% dos gastos, projeta o Dieese. "Mesmo considerando gastos com pessoal e manutenção, é um negócio extremamente rentável", afirma Cid Cordeiro, economista da instituição.
O proprietário de um estacionamento na avenida Sete de Setembro, Ronaldo Krainski, explica que a maioria dos terrenos usados são alugados em regiões caras da cidade. "É um custo muito alto de aluguel, que reduz muito as margens. Além do mais, prestamos um serviço fundamental para quem transita pelo centro da cidade e não tem onde deixar o carro", completa.
Usuários mudam de hábito
O aumento dos preços cobrados pelos estacionamentos privados tem obrigado algumas pessoas a mudar hábitos. O publicitário Rodrigo Fragoso reclama do preço cobrado mesmo quando o automóvel permanece poucos minutos estacionado.
"Às vezes não deixo o carro nem 10 minutos no lugar e preciso pagar por meia hora", conta. Ele explica que prefere deixar o carro em casa quando vai ao centro. "Carro no Centro, só em emergências. O ideal é ir de ônibus ou táxi", diz.
A designer Rosália Camargo era mensalista em um estacionamento no Batel, mas adotou a bicicleta depois do último reajuste: "O valor subiu para R$ 210 e eu achei que não valia mais a pena". Ela comprometia cerca de 10% da sua renda com o serviço.



