"Nosso negócio não é um hobby", dizem sócios
Se imaginação não falta e a rejeição de parte do público não preocupa, o desafio da Way Beer é desenvolver cervejas comercialmente viáveis, capazes de convencer alguém a pagar mais de R$ 10 por uma garrafa de 310 ml. "Temos que fazer com que a percepção de aroma e sabor pese mais que o preço", diz o empresário Alejandro Winocur.
Winocur e o sócio Alessandro Oliveira estão no negócio porque gostam muito de cerveja, e de fazer cerveja. Mas reiteram que não tratam a Way como um passatempo. "Aqui não tem hobby. Muitas cervejarias artesanais não são, mas a Way tem que ser rentável, tem que se sustentar", diz Oliveira.
A empresa atingiu o equilíbrio financeiro há dois anos e, apesar do crescimento, não teme perder a aura de cerveja artesanal. "Para nós, o artesanal não tem a ver com volume, e sim com qualidade. Tudo o que colocamos no processo serve para enaltecer o olfato ou o paladar, nunca para reduzir custos. Nos Estados Unidos, algumas cervejarias têm dez vezes o tamanho da fábrica da Ambev de Curitiba e nem por isso deixam de ser consideradas artesanais", diz Winocur.
Guinada profissional
Oliveira, 42 anos, distribuía óculos de grife da italiana Luxottica. Começou a fazer cerveja na panela oito anos atrás, até que decidiu que esse seria seu negócio. "Queria parar de viajar o tempo todo, queria casar e ter filhos, e finalmente fazer algo de que eu gostasse", diz.
Winocur, 31, trabalhava em Joinville, como analista de marketing da fabricante de compressores Embraco. Entrou para a Way em outubro de 2010, quando a empresa, aberta meses antes, não tinha cerveja nem marca. Depois de semanas trabalhando 15 horas por dia, os dois fizeram a "estreia oficial" no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, em novembro daquele ano.
Grandes goles
A participação das bebidas artesanais no consumo de cerveja no Brasil é pequeno, perto de 1%. Mas a febre das cervejas especiais tem feito esse mercado crescer a taxas altíssimas, perto de 40% ao ano, segundo o instituto de pesquisas de mercado Euromonitor.
No princípio, eram dois. O mestre cervejeiro Alessandro Oliveira fazia a cerveja e lavava as panelas. Alejandro Winocur, seu sócio, moía o malte, lavava os barris e fazia as entregas. Passados pouco mais de quatro anos, a Way Beer emprega 18 funcionários e três estagiários, mas segue a mesma receita dos primeiros tempos, uma mistura de inspiração, trabalho duro e um otimismo moderado, de pés no chão.
Tem funcionado: no mês passado, a empresa paranaense foi apontada como melhor cervejaria brasileira de 2014 pelo site norte-americano Rate Beer, que compila avaliações de apreciadores do mundo todo.
Os dois "sócios-atletas" há outros três, investidores estão orgulhosos, mas não dão sinal de deslumbramento. Questionados sobre aonde querem chegar com a Way, respondem que buscam, antes de mais nada, fazer cerveja boa e rentável. A ideia é crescer de forma orgânica, sem atropelos. "Tocar o dia a dia é um grande projeto", diz Winocur, que comanda a área de vendas. "Sabemos que há muito o que ajustar, nos nossos processos, na gestão comercial, no marketing e no relacionamento com o consumidor final."
Prova dessa dedicação ao dia a dia é que, numa tarde do início deste mês, no sóbrio galpão que hospeda a cervejaria em Pinhais, perto de Curitiba, era o próprio mestre cervejeiro quem liderava a instalação dos novos tanques de fermentação e maturação, serrando e colando canos e conexões. Sim, a Way é das raras empresas que estão investindo neste cabisbaixo início de 2015. Além de dois novos tanques, com capacidade de 6 mil litros cada, acaba de entrar em operação uma nova envasadora, que faz em uma hora o que a antiga fazia em um dia.
A produção, hoje em torno dos 30 mil litros por mês, certamente crescerá, mas os empresários não revelam o quanto; parecem mais preocupados com o produto que vão entregar. "A nova envasadora tem um sistema de duplo vácuo e de cravamento da tampa que garante mais qualidade à cerveja. Gera menos perdas também. E, com os novos equipamentos, vamos conseguir desenvolver e lançar produtos mais rápido", comenta Winocur.
Criatividade
Velocidade é fundamental para dar vazão à criatividade da dupla. A Way tem uma linha de 12 cervejas, fora as sazonais, e está desenvolvendo outras 20, a serem lançadas até 2017. "Nosso problema é pôr freio na imaginação", brinca o empresário. Além de fazer suas versões de estilos clássicos como a American Pale Ale e a Irish Red Ale, a cervejaria produz receitas próprias, entre elas a Amburana Lager maturada em barris de amburana, madeira muito usada no envelhecimento de cachaça e a exótica série Sour Me Not, de cervejas ácidas e levemente salgadas, que levam acerola, graviola e morango.
A variedade é tal que, não raro, o consumidor que é fã de um rótulo da empresa faz cara feia para outro produto da casa. Coisas de um ramo que busca a todo custo fugir do gosto médio e da mesmice das bebidas convencionais. "Não adianta tentarmos fazer uma cerveja de baixíssima rejeição. Ficaria parecida com as que são vendidas a preços muito mais baixos nos supermercados", explica Oliveira.
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