8% de inflação

É o que os analistas apontam para os índices da família IGP, que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas públicas. Esses indicadores estão sendo puxados, principalmente, pela alta no preço dos produtos agrícolas.

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As novas previsões do mercado financeiro para a economia brasileira mostram menos crescimento e mais inflação em 2012. Na pesquisa do boletim Focus do Banco Central (BC), divulgada ontem, a estimativa para o crescimento do país caiu para 1,75%, quase metade da previsão oficial do Ministério da Fazenda, que espera um resultado de 3%. Já a projeção para o índice oficial de inflação (IPCA) subiu pela sexta semana seguida e está em 5,15%.

Apesar da divulgação de indicadores que mostram retomada da atividade em junho e julho, analistas ainda seguem revisando para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e esperam novos cortes na taxa básica de juros, que está em 8% ao ano, nos próximos meses. As apostas continuam sendo de que a taxa Selic vai cair para 7,5% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC na quarta-feira da próxima semana e para 7,25% no encontro marcado para o início de outubro.

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Parte dos economistas também passou a avaliar que o BC vai elevar menos os juros no próximo ano, apesar da expectativa de crescimento mais forte da economia e de mais inflação neste período. Desde o início de junho, as apostas eram que os juros voltariam a 8,5% até o fim de 2013. Agora, o mercado está dividido entre esse valor e uma taxa de 8,25%.

Moderação

Para o economista Sidnei Nehme, da corretora NGO, apesar dos resultados positivos da geração de emprego em julho e do indicador de atividade do BC em junho, que apontaram recuperação, é necessário que se mantenha otimismo moderado, pois esses fatores podem ser pontuais e não sustentáveis. Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que o país está em um novo ambiente de taxas de juros mais baixas e destacou que o governo espera aceleração do crescimento econômico nos próximos trimestres.

Aluguel

Outro dado que vem se destacando a cada pesquisa é a elevação nas previsões de inflação para os índices de preços que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas públicas, os IGPs. Essas projeções seguem em alta há cerca de dois meses e já estão em torno de 8% para este ano.

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Esses indicadores de inflação estão sendo puxados, principalmente, pela alta no preço dos produtos agrícolas, devido a problemas climáticos que afetaram a safra de grãos em outros países e a produção de alimentos in natura no Brasil. O BC considera, no entanto, que ainda é preciso aguardar novos dados para avaliar a intensidade e a duração desse choque nos preços.