São Paulo - A ligeira alta de 0,20% da produção industrial em janeiro apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de uma queda de 0,70% em dezembro, na margem, reforça a avaliação de que a atividade econômica brasileira passa por um forte processo de desaceleração. É o que afirma o diretor de Departamento de Pesquisas Macroeconômicas (Depec) do Bradesco, Octávio de Barros.
Na visão do economista, a desaceleração da economia está em curso desde o fim do ano passado. Ele atribui a queda em curso, na visão dele, às medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no ano passado. "A política econômica adotada desde o fim do ano passado teve e continuará tendo papel fundamental neste processo; através das medidas macroprudenciais, elevação dos juros e ajuste fiscal", prevê.
Há ainda, segundo o diretor do Bradesco, a retirada de programas como o Programa de Sustentação Industrial (PSI) por parte do BNDES, que só será sentida a partir de março. Com isso, afirma Barros, a forte alta de bens de capital na margem, de 1,8%, não deve se sustentar. "O resultado da pesquisa mostrou um fraco desempenho da indústria, que a nosso ver, na margem, já está sob influência de uma demanda final mais fraca e não mais sob influência do aumento das importações", diz o economista.
Setores
A relação cambial dos últimos meses, que tornou mais acessíveis bens de consumo com preços dolarizados, causou recuos intensos nas produções das indústrias têxtil (-14,7%) e de eletrodomésticos (-5,9%), na comparação com janeiro de 2010. Além disso, as medidas de restrição ao crédito de longo prazo, anunciadas pelo governo no fim do ano passado, ajudaram a frear a produção de veículos automotores em janeiro (-3,2% ante dezembro).
Pelo menos em janeiro, a indústria de bens duráveis, liderada por automóveis e eletrodomésticos, ajudou a manter positivo o desempenho industrial. O salto deste segmento em relação a dezembro foi de 6%; semelhante ao avanço ante dezembro de 2010, de 6,1%. A expansão de 25,8% na produção industrial de celulares em janeiro ante dezembro beneficiou o resultado, segundo o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério Souza. "Mas o crescimento na margem da produção industrial ainda é muito tímido", advertiu.
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