Inadimplência assusta mais que a crise
Se por um lado a crise internacional ainda não tira o sono dos empresários do varejo, por outro o aumento da inadimplência e do endividamento já aparecem no radar de algumas empresas do setor, que vêm monitorando com mais cuidado o comportamento do consumidor.
Na rede de lojas MM Mercadomóveis, a inadimplência acima de 90 dias subiu 20% em relação ao ano passado, embora ainda esteja dentro da média histórica em 6,5%. De acordo com Marcio Pauliki, a empresa passou a incentivar mais a compra à vista e reduziu o prazo de financiamento: de 12 meses para uma média de nove meses.
"A inadimplência aumentou muito pouco. Está extremamente sob controle, mas é claro que, em tempo de crise, a luzinha amarela começa a piscar" afirma Antonio Roberto Gazin, diretor comercial da Gazin. A inadimplência do consumidor teve alta de 2,9% em julho na comparação com o mês anterior, segundo a Serasa Experian. Na comparação com julho de 2010, a elevação foi de 27,7%. No acumulado dos sete primeiros meses de 2011, ante mesmo período do ano anterior, o índice subiu 22,5%.
Para a Confederação Nacional do Comércio (CNC), no entanto, apenas uma piora significativa na crise externa, que afete o mercado de trabalho no Brasil, pode provocar uma explosão da inadimplência.
Selic em baixa
Impacto dos juros é pequeno
O corte na taxa de juros promovido pelo Banco Central, embora favorável ao consumo, terá influência relativa no comportamento das vendas de Natal. O efeito tende a ser "mais psicológico" que prático, na avaliação de Christian Luiz da Silva, professor de Economia da UTFPR. A estratégia do BC está muito mais centrada em incentivar a indústria, que dá sinais de desaceleração, do que o consumo, que continua aquecido. As grandes redes de varejo também aprenderam a driblar os juros altos com parcelas que cabem no bolso do comprador, lembra o professor. "Os juros já são embutidos no preço, que é parcelado sem juros", brinca.
Quando reduziu a Selic, o BC mirou a economia de 2012 e os prováveis efeitos de uma desaceleração da atividade; entretanto, nesse caso, ele não está preocupado com a ponta, mas com a origem da produção, diz Silva. De maneira geral, as vendas no varejo continuam aquecidas, com aumento de 6,36% em agosto na comparação com o julho e de 8,37% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).
O varejo não alterou seus planos para o Natal, apesar do agravamento da crise internacional e da desaceleração da economia. O ritmo de encomendas de produtos à indústria para o fim de ano geralmente são realizadas entre agosto e setembro segue em alta, com volumes entre 10% e 15% superiores ao do ano passado.
O consumo deve continuar aquecido, avaliam as empresas, porque a crise internacional ainda não mexeu com o nível de emprego e renda do brasileiro. A queda na taxa de juros também deve ajudar. Juntos, eles devem "blindar" as vendas do Natal da crise. Pelo menos a julgar pelas encomendas das redes de lojas, a recessão global não vai chegar aqui tão cedo.
Na rede de lojas paranaense MM Mercadomóveis, o volume de encomendas está 10% superior ao do ano passado, segundo Marcio Pauliki, superintendente da rede, que esse ano deve encerrar o ano com 165 lojas e faturamento de R$ 500 milhões, 25% mais que no ano passado. "As classes B e C continuam a comprar e vamos ter um bom Natal. Não há sinais de recuo no consumo", afirma ele.
A rede de supermercados Condor aumentou em média em 15% as encomendas para o segundo semestre, diz o presidente da rede, Pedro Joanir Zonta. No caso de produtos tipicamente natalinos, a aposta é ainda maior. Para esse ano, o volume de encomendas de cestas natalinas está 50% maior; de aves e panetones, 30%; e de bebidas e bacalhau, 20%.
De acordo com Zonta, também é esperado um forte consumo de eletroeletrônicos, cujas vendas já vinham surpreendendo desde o início do ano, com aumento médio de 8% em televisores. "Esperávamos que, como a Copa do Mundo foi no ano passado, esse ano as vendas fossem menores. Mas não: elas continuam fortes", afirma Zonta, que projeta fechar o ano com faturamento de R$ 2 bilhões em 2011, 15% mais que nesse ano.
Poder de barganha
Os estoques no varejo seguem normais, mas alguns setores da indústria, especialmente de produtos de linha branca, estão mais estocados, o que deve levar a boas condições de negociações de preços para o fim de ano, segundo as varejistas. "As indústrias estão bastante abastecidas, com muita oferta de produto, mas o varejo está pedindo mais lentamente, com um pouco mais de cautela", afirma Antonio Roberto Gazin, diretor comercial da Gazin, que tem 168 lojas. Com previsão de fechar o ano com receita de R$ 1,9 bilhão, a empresa está comprando 16% mais para esse Natal do que no mesmo período de 2010, com destaque para móveis, linha branca e informática.
Depois de um primeiro semestre considerado mais fraco, o comércio de rua espera dobrar o crescimento nas vendas para o Natal, segundo informações da Associação Comercial do Paraná (ACP). "As vendas começaram a melhorar em junho, foram bem em julho e estão muito boas em agosto", afirma Antonio Miguel Espolador Neto, vice-presidente da entidade. "De maneira geral, as empresas esperam um aumento de 10% nas vendas, o que é bem mais que no Natal passado, quando tivemos apenas 5%", diz.
Com foco no pequeno varejo e no consumidor que compra em quantidade, o Sams Club, do grupo Walmart, espera um crescimento de 30% nas vendas nesse ano graças também ao efeito do dólar fraco, que reduziu em média em 20% os preços dos produtos importados. Entre as apostas estão brinquedos e enfeites natalinos, além de bebidas.
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