O grupo francês Vivendi afirmou ontem não estar "com a faca no pescoço" para vender a GVT e que o negócio só irá adiante caso consiga um "valor apropriado" pela operadora brasileira.
Buscando se concentrar na área de mídia e conteúdo, o conglomerado francês planeja se desfazer de suas empresas de telecomunicações no Brasil e no Marrocos, operações que somam quase 15% da receita líquida do grupo.
A GVT representa 5% da receita, mas foi a empresa da grupo que teve o maior crescimento no ano passado, com receita de 1,716 bilhão de euros, uma alta de 18% na comparação com 2011. O bom resultado da operadora brasileira, somado às perspectivas positivas para os próximos anos, torna menos provável que a Vivendi aceite uma oferta menor do que está pleiteando, estimada em 8 bilhões de euros (cerca de R$ 20 bilhões).
"A negociação não esfriou, mas só vai se concretizar se o valor for apropriado. A GVT é o principal motor de crescimento da Vivendi", afirmou ontem o diretor financeiro do grupo francês, Philippe Capron, durante a conferência de apresentação dos resultados de 2012, de acordo com o Financial Times.
Na briga
Dos cinco grupos iniciais interessados na compra da GVT, apenas dois ainda estariam na disputa: a norte-americana Directv, controladora da Sky no Brasil, e o consórcio de investimento liderado pelo fundo americano KKR e com participação do Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.
A Vivendi também negocia sua participação de 53% na Maroc Telecom, a líder em telecom do Marrocos. "Idealmente, devemos vender uma delas [GVT ou Maroc] neste ano", disse Capron. "Mas não estamos com a faca no pescoço e uma liquidação não faz sentido."
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, citando fontes anônimas, a venda da GVT pode ocorrer nas próximas semanas, antes do fim de março. O jornal diz que ambos os grupos interessados acham alto o valor de R$ 20 bilhões e querem parte do pagamento em ações. Assim, a Vivendi teria de entrar como sócia direta ou indireta da empresa que adquirir a operadora.