O ano letivo nas instituições privadas de ensino superior mal começou e os problemas antigos estão de volta para professores e alunos. Pagamento de salários dos funcionários atrasados, greves, paralisações, inadimplência nas mensalidades dos cursos. Segundo o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-RJ), definitivamente a crise se instalou nas salas de aula das faculdades particulares.

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Com pagamentos dos funcionários atrasado, a Universidade Cândido Mendes, enfrenta uma greve desde 16 de fevereiro. Na Universidade Gama Filho, depois de uma paralisação de dois dias, funcionários voltaram ao trabalho, mas mantém o estado de greve desde concordaram em receber o 13º salário parcelado em nove vezes, a partir de abril.

"É fato que a crise econômica e a inadimplência têm uma parcela de culpa. Mas acredito que a falta de um conselho universitário formado por membros dos corpos discente e docente, ajudando na gestão da instituição no que se refere a investimentos em cursos, pesquisa e extensão é o principal foco do problema. Em nome da modernização, as instituições passaram a ser mantidas por sociedades anônimas, que em sua maioria têm preocupação com os acionistas, e por isso, visam principalmente maximizar os lucros a curto prazo", disse o membro da comissão de ensino superior do Sinpro-RJ, Paulo César Azevedo Ribeiro.

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Seguindo essa lógica, Ribeiro diz que os grupos mantenedores deixam de focar no conhecimento, no ensino e na pesquisa, e passam a investir em cursos on line e em aulas por meio de teleconferências, que podem reunir mais alunos e exigem menos professores em sala.

"É claro que os cursos à distância são importantes, mas há instituições que estão substituindo algumas disciplinas e até cursos inteiros pelas aulas on line, o que gera desemprego, precarização das relações de trabalho e queda no nível do ensino", acrescentou Ribeiro, para quem falta um rigor maior da fiscalização por parte do Ministério da Educação (MEC) a fim de que sejam cumpridas as metas de ensino estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Rigor na fiscalização

A assessoria do MEC que tem cumpre o seu papel, que é fiscalizar a qualidade das instituições federais e dos cursos ministrados pelos estabelecimentos particulares, assim como verifica a carga horária dos cursos presenciais e regras a serem respeitadas pelos cursos à distância.

E acrescenta que o ministério tem sido rigoroso nas avaliações, tanto que vários cursos de direito e de medicina foram fechados em todo o país, e diz que não cabe ao ministério se envolver em questões salariais ou redução de jornada de trabalho das instituições particulares.

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Segundo o membro da comissão do ensino superior do Sinpro-RJ, diante desse ambiente as chamadas instituições familiares são as que mais estão sofrendo com a crise.

Ele cita como exemplo as universidades Cândido Mendes, Gama Filho, Celso Lisboa e o Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam), que estão enfrentando dificuldades para honrar seus compromissos.

Através de nota, o Centro Universitário Celso Lisboa informou que vem honrando os compromissos salariais com o corpo docente e funcionários, conforme acordo firmado em setembro de 2008 e que não há pendências, no momento.

Cobertor curto

A diretora de comunicação corporativa da Unisuam, Ediana Avelar, disse que, em função da crise econômica, a inadimplência aumentou e, consequentemente, também aumentaram as dificuldades para honrar os compromissos. Esta semana, segundo ela, a instituição conseguiu pagar os salários que estavam em atraso.

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"Enxugamos os investimentos em marketing e realocamos recursos para enfrentar a crise, e não deixamos de investir em laboratórios e em cursos de capacitação para os professores. Fizemos uma auditoria no ano passado e reposicionamos a equipe para uma gestão profissional. O cobertor ainda está muito curto, mas estamos cobrindo todo o pé", disse Ediana.

O reitor da Universidade Cândido Mendes, professor Cândido Mendes, e a direção da Universidade Gama Filho expuseram as dificuldades que as duas instituições estão enfrentando frente ao alto elevado índice de inadimplência. Segundo o reitor, 25% dos alunos estão com mensalidades atrasadas.

O Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior (Semerj) informou nenhum diretor que pudesse fazer um balanço da situação das instituições de ensino superior foi localizado nesta sexta-feira (6).