A nova prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para estudantes prejudicados por provas com defeitos de impressão e montagem já tem data para ser aplicada. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) comunicou ontem que a nova prova de ciências humanas e ciências da natureza será realizada no dia 15 de dezembro, às 13 horas. A data não coincide com o vestibular de nenhuma universidade paranaense. O Enem é a única forma de seleção usada pela Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR). A Universidade Federal do Paraná (UFPR) usa 10% do exame para compor o escore final dos candidatos e 10% das vagas serão ofertadas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC). O reitor da UFPR, Zaki Akel, disse ontem que a universidade trabalhava com a hipótese de o MEC marcar a nova prova para o dia 4 de dezembro. "Ficamos felizes, pois nossos estudantes não serão prejudicados e ninguém terá de enfrentar uma maratona de três dias de provas", disse o reitor. Segundo ele, o calendário da UFPR será mantido e o resultado final do vestibular deverá ser divulgado até 21 de janeiro de 2011.
O Paraná está entre os estados que tiveram mais estudantes prejudicados pela prova defeituosa do Enem, como mostrou reportagem da Gazeta do Povo na semana passada. Também foram identificados problemas com alunos de Sergipe, Distrito Federal, Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina. O Inep ainda não divulgou o número de estudantes prejudicados no estado.
A estudante Thábata Schossler, 17 anos, que tenta uma vaga em Odontologia, diz que a confusão abalou seu estado emocional. "Não consegui fazer 20 questões, porque estavam repetidas, com números trocados ou simplesmente não existiam. Fiz reclamação e tudo que estava ao meu alcance", disse. "Esperava que decidissem o que fosse melhor para a gente e que não demorasse muito. O problema é que não trouxe o meu caderno e nem lembro se foi anotado na ata que tive problemas com a prova."
O Enem foi aplicado para 3,3 milhões de estudantes em todo o país, nos dias 6 e 7 de novembro. Na aplicação da prova de ciências humanas e ciências da natureza, o cabeçalho de gabarito estava trocado, faltou a informação sobre a proibição do uso de lápis e borracha, houve suspeita de vazamento do tema da redação e mais de 2 mil cadernos de provas amarelos tinham problemas de impressão e montagem. Uma batalha jurídica está sendo travada entre a Defensoria Pública da União e o MEC. Uma liminar revogada nesta semana previa a reaplicação da prova para todos os estudantes que se sentissem prejudicados.
Pente-fino
O Inep informou ontem que continua o trabalho de pente-fino nas 116.626 atas dos locais de prova, com o objetivo de identificar os estudantes que, por algum motivo, não tiveram substituídas as provas com problemas de impressão. Foram identificados, até o momento, 2.817 estudantes, menos de 0,1% do total.
Os alunos que poderão refazer a prova receberão um novo cartão de confirmação de inscrição com o local onde devem se apresentar. O Inep informou que os alunos devem se apresentar com uma hora de antecedência, portando o novo cartão de inscrição e um documento de identidade com foto, além de caneta esferográfica preta.