O deputado federal e pré-candidato a presidente André Janones (Avante-MG) publicou em suas redes sociais na semana passada uma foto sua em frente à Mesa Diretora da Câmara, com o braço imobilizado. Na legenda, disse que havia recebido um atestado médico que o autorizaria a repousar, mas relatou que falou ao médico que é “um homem, e não um saco de batata”. A Câmara poderia votar, naquele dia, a PEC dos Benefícios, que determina a destinação de R$ 600 aos beneficiários do Auxílio Brasil. A garantia do pagamento dos benefícios é uma das principais bandeiras de Janones.
A postagem sintetiza o perfil que Janones adotou ao longo de seu mandato como deputado federal, o primeiro em Brasília, e também o estilo de sua pré-campanha presidencial. A somatória entre o uso das redes sociais, a defesa de pautas de apelo popular e o estilo “guerreiro” ajudaram Janones a se posicionar na quarta colocação na pesquisa Datafolha divulgada no último dia 23, superando numericamente Simone Tebet (MDB-MS), senadora que se destacou durante a CPI da Covid, é filha de um ex-presidente do Senado e pertence a um partido muito maior do que o Avante de Janones.
Janones tem, também, momentos de sua pré-campanha que o assemelham aos políticos com mais tempo de mandato. Ele publicou em maio nos seus perfis um vídeo com uma estética típica das campanhas eleitorais convencionais, com imagens aéreas de cartões-postais brasileiros, pessoas sorrindo e abraçando o pré-candidato. O próprio deputado narra o vídeo, no qual diz que “o Brasil precisa do povo. E eu estou aqui, do lado do povo, até o final”.
Outro ato de Janones que se verifica também nos demais pré-candidatos é a rotina de viagens. Além de Brasília, onde trabalha como parlamentar, e Minas Gerais, seu estado natal, Janones tem percorrido o Brasil, visitando regiões distantes entre si como o sertão nordestino, Porto Velho (RO) e o Rio de Janeiro. Se apresenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto e posa ao lado de lideranças locais que querem ser eleitas em outubro.
“Eleição não está polarizada”, diz Janones
Janones também tem mantido uma rotina de entrevistas à imprensa para falar de seus planos para o país. Em uma delas, ao podcast “3 irmãos”, o parlamentar rejeitou uma análise comum sobre a corrida presidencial, a de que a disputa estaria polarizada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL).
Janones disse que o cenário de polarização seria verificado se a população apoiasse de modo maciço dois candidatos – o que não se dá no contexto atual, segundo ele. Na avaliação do parlamentar, o que se dá é uma rejeição expressiva tanto a Lula quanto Bolsonaro, o que acaba gerando intenções de voto aos dois pré-candidatos.
O deputado também avalia que seu desempenho nas pesquisas – positivo para um representante de um partido de pequeno porte, insuficiente para ganhar a eleição – é resultado do fato de ele ser ainda pouco conhecido do eleitorado.
Janones não confirmou o candidato a vice de sua chapa. O ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda foi cotado para o posto, o que não se efetivou. O deputado também não informou se irá se licenciar do mandato em Brasília durante o período eleitoral.
Emendas para shows: “pobre também precisa de lazer”
Janones acabou inserido em uma polêmica recente das redes sociais: a discussão sobre a contratação de shows com dinheiro público. O tema entrou no debate após o cantor sertanejo Zé Neto insinuar que a cantora pop Anitta sustentaria a sua carreira com recursos públicos e uma enxurrada de contratos de prefeituras com sertanejos ser revelada.
O deputado destinou R$ 1,4 milhão em emendas parlamentares para shows em Ituiutaba, sua cidade natal. A lista de atrações continha nomes tradicionais da música sertaneja, como as duplas Gian e Giovanni e Zezé di Camargo e Luciano e o cantor Gusttavo Lima.
O pré-candidato defendeu a aplicação dos recursos e, na linguagem dos jogos de azar, dobrou a aposta. Disse que “a elite precisa entender que pobre também tem direito a diversão, que pobre também precisa de lazer e que saúde mental não é exclusividade de classe média, que cultura e arte não é só o que a elite gosta”. Afirmou que a realização de shows com verbas públicas, desde que não contenham cobrança de ingressos, atende ao que se espera do dinheiro oriundo dos impostos. E disse que, se eleito presidente, promoverá mais espetáculos com este perfil.
O pré-candidato nas redes
Em meio à nova visibilidade que ganhou por se colocar como pré-candidato ao Palácio do Planalto, Janones mantém a rotina de publicações em massa nas redes sociais, e muito engajamento com os internautas. Na quinta-feira, o mesmo dia em publicou sua foto com o braço quebrado e disse não ser um “saco de batata”, fez outras três publicações sobre a votação da PEC dos Benefícios.
Após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicar que não faria a votação da PEC na quinta, Janones publicou em tom de desabafo que havia “perdido”, mas que manteria a mobilização em torno da aprovação da proposta. “Não tenho muito mais o que falar. É isso. Me desculpem. Me resta continuar aqui para que o valor aumente”, escreveu.
No Facebook, são 7,9 milhões os seguidores de Janones. O pré-candidato tem ainda 1,39 milhões de seguidores no Youtube e outros 132 mil seguidores no Twitter.
Metodologia da pesquisa citada
O Datafolha entrevistou 2.556 eleitores entre os dias 22 e 23 de junho em 181 cidades. O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S. Paulo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o protocolo BR-09088/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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