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Eleições 2026

Sabatina na Globo: Flávio propõe guerra às facções, fim da reeleição e destaca recordes negativos de Lula

Flávio Bolsonaro (PL) participou de sabatina na Rede Globo nesta sexta-feira (16)
Flávio Bolsonaro (PL) participou de sabatina na Rede Globo nesta sexta-feira (16) (Foto: Reprodução/TV Globo)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, defendeu o fim da reeleição para cargos do Executivo, prometeu reduzir ministérios e manter o fim da escala 6x1.

Na sabatina da TV Globo desta sexta-feira (16), conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, o candidato também explicou por que votou a favor do fim da escala 6x1, respondeu a perguntas sobre o financiamento de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e criticou a atuação da Polícia Federal (PF) no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Logo no início da entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado se, caso eleito, manteria a política de valorização do salário mínimo, preservaria a vinculação das aposentadorias ao piso nacional e manteria os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação. O senador respondeu afirmativamente às três perguntas.

Ao ser perguntado sobre as críticas de que suas propostas econômicas poderiam comprometer aposentadorias, direitos dos servidores e empresas estatais, Flávio afirmou que a campanha petista distorce seu programa de governo.

“Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo em cima de servidores públicos, em cima de estatais, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, que eu acabaria com os servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras”, declarou.

Na sequência, o senador resumiu sua avaliação sobre as contas públicas: “Eu estou concorrendo à eleição para presidente da República, que é coisa muito séria, e o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”.

O candidato defendeu cortes de despesas administrativas e redução da estrutura federal.

“A gente tem que combater despesas e gerar receitas novas. Hoje, o atual governo tem 39 ministérios. Vamos cortar pelo menos dez”, afirmou em outra resposta durante a entrevista.

Flávio também prometeu reduzir cargos comissionados e rever normas administrativas. Segundo ele, a equipe econômica trabalha em medidas para diminuir os custos do Estado e facilitar a atividade empresarial.

Plano prevê fim da reeleição

Flávio reafirmou que pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos.

O senador também afirmou que não pretende disputar um segundo mandato caso vença a eleição.

“Eu não estou disputando o poder, eu estou disputando o futuro da nossa nação. Eu estou aqui me comprometendo, eu só preciso de um mandato”, declarou.

Em seguida, afirmou: “Eu tenho desapego ao poder, não tenho projeto de poder da minha parte”.

A proposta também alcançaria familiares de chefes do Executivo eleitos, segundo o candidato.

A mudança dependeria de aprovação do Congresso Nacional. Atualmente, a Constituição permite uma reeleição consecutiva para os titulares desses cargos.

Pai e irmão não devem ocupar cargos em eventual governo

Flávio descartou nomear o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ministro das Relações Exteriores em um eventual governo e afirmou que não prevê um cargo para o pai, Jair Bolsonaro.

Durante a sabatina, o candidato do PL elogiou a atuação internacional do ex-deputado, mas disse que ele não comandará o Itamaraty.

“Não, ele não vai ser chanceler”, afirmou Flávio sobre Eduardo. O senador chamou o irmão de “perseguido político” e disse que ele realiza nos Estados Unidos um trabalho de denúncia das arbitrariedades cometidas no Brasil.

Questionado sobre a participação de Jair Bolsonaro em um eventual governo, Flávio afirmou que o pai nunca conversou com ele sobre a possibilidade de ocupar um cargo. 

“Nunca sugeriu que queria trabalhar no governo. Não está no radar”, declarou. Por outro lado, o candidato disse que poderá consultar o ex-presidente durante um eventual mandato sobre assuntos diversos.

Escala 6x1: “Votei conforme o que ouvi nas ruas”

O senador foi questionado sobre a mudança de posição em relação à proposta que extingue a escala de trabalho 6x1.

Durante a campanha, ele havia chamado a iniciativa de “oportunista” e “eleitoreira”. Na votação da proposta, registrou voto favorável.

Flávio justificou a decisão com base nas conversas que teve durante a campanha.

“Eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu ouvi nas ruas. Como eu ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam favoráveis ao fim da escala 6x1, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

O senador também defendeu a possibilidade de os empregados organizarem os próprios horários. Como exemplo, citou mulheres que criam os filhos sozinhas e enfrentam dificuldades para conciliar o emprego com os cuidados das crianças.

“Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar a sua própria jornada de trabalho”, disse.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de tentar reverter o fim da escala 6x1, Flávio afirmou que respeitará a deliberação do Congresso.

“Todos os direitos trabalhistas estão garantidos, cada um pode ter a sua opinião individual, mas da minha parte, isso aqui está respeitado, foi uma decisão do Congresso Nacional. Então da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, declarou.

“Durante essa sua folga você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Vai continuar dormindo preocupado porque está devendo e seu salário não está durando o mês todo”, prosseguiu. Em seguida, prometeu: “Além de garantir a folga, vou fazer de tudo para garantir poder de compra e mais segurança”.

O Senado aprovou a proposta que extingue a escala 6x1 no dia 14 de outubro, depois de a Câmara dos Deputados votar o texto em maio. A emenda estabelece duas folgas remuneradas por semana e prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho.

Financiamento de filme sobre Bolsonaro

Durante a sabatina, Flávio defendeu o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador afirmou que os recursos vieram de um patrocínio privado, sem dinheiro público, e disse que o aporte de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, permitiu concluir a produção após o descumprimento de um contrato.

“Com os recursos aportados por ele [Vorcaro] e outros investidores, conseguimos concluir o filme. Uma relação privada, um dinheiro totalmente lícito”, afirmou Flávio.

O candidato também comparou o financiamento do longa a negócios entre Vorcaro e o Grupo Globo. Ele citou o patrocínio do Banco Master ao programa do apresentador Luciano Huck e afirmou que a atração recebeu mais de R$ 160 milhões para fazer propaganda da instituição financeira.

“Como foi aqui na Globo, o programa de Luciano Huck recebeu mais de R$ 160 milhões para fazer propaganda do banco do Vorcaro. E o que tem de errado nisso? Nada”, declarou.

A jornalista Renata Lo Prete questionou a comparação entre os negócios citados pelo senador e o financiamento do filme.

Envolvimento de aliados de Lula no caso Master 

Ao comentar as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, Flávio mencionou suspeitas de que aliados de Lula teriam negociado a liberação de investimentos de fundos de pensão no Banco Master mediante pagamento de propina. 

Diante das declarações do candidato, a jornalista Renata Lo Prete observou que a suposta cobrança ainda não havia sido confirmada pela Polícia Federal.

Questionado se o ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro (PL), também deveria ser investigado diante de suspeitas relacionadas ao caso, Flávio defendeu que a lei valha para todos. 

“Todo mundo tem que estar abaixo da lei. Esse é o problema do Brasil hoje: as pessoas acham que estão acima da lei e a lei deve valer para todo mundo”, afirmou. 

Flávio critica Moraes e defende impeachment de ministros do STF

Flávio criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem atribuiu interferência política em favor de Lula.

“Alexandre de Moraes é um articulador político de Lula em Brasília. Ele que fez as pazes entre Lula e Alcolumbre”, afirmou, em referência à aproximação entre o presidente da República e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP).

Ao ser questionado sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, Flávio classificou o processo como uma “farsa”.

“A história vai mostrar que foi tudo armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, declarou. Sobre as punições aos envolvidos em atos de vandalismo do 8 de janeiro, o senador afirmou que devem respeitar a lei e considar a gravidade de cada crime.

O candidato também defendeu que o Senado dê andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF quando houver fundamento legal para a abertura dos processos.

Flávio diz que Lula aparelhou a Polícia Federal

A atuação da Polícia Federal durante o governo Jair Bolsonaro também entrou na sabatina. Renata Lo Prete lembrou a crise de 2020, quando a saída do então ministro da Justiça Sergio Moro ocorreu após divergências com o presidente sobre mudanças no comando da corporação.

Flávio negou que seu pai tivesse tentado interferir politicamente na PF e justificou a substituição do superintendente da corporação no Rio de Janeiro.

“Ele trocou o superintendente do Rio de Janeiro na época, se não me engano, porque estava apresentando maus resultados. E ele queria uma pessoa que entregasse resultados melhores”, afirmou.

O senador comparou a repercussão daquela mudança com as nomeações feitas durante o governo Lula e criticou a presença de aliados do presidente na corporação.

“O Bolsonaro troca um, tem esse questionamento. Ele (Lula) troca 27 e não tem questionamento nenhum. Hoje em dia, é óbvio que a Polícia Federal está aparelhada, tem um grupo especial do Lula dentro da Polícia Federal”, declarou.

No campo da segurança pública, Flávio defendeu medidas mais duras contra facções criminosas, incluindo o enquadramento de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e milícias como narcoterroristas.

Candidato destaca recordes negativos de Lula

Flávio Bolsonaro também se referiu a resultados negativos da gestão Lula. Na economia, o senador citou a taxa básica de juros, a dívida pública e os resultados deficitários das empresas estatais para sustentar as críticas ao governo petista.

Flávio comparou a Selic atual, de 14%, com a projeção de 7% que, segundo ele, o mercado financeiro fazia em outubro de 2022. 

O candidato estimou a dívida pública em R$ 11 trilhões e calculou que a diferença entre as taxas representaria praticamente R$ 1 trilhão a mais em gastos com juros para o governo federal.

“A gente está falando de quase um trilhão de reais a mais em quatro anos que o Brasil poderia estar economizando ao invés de pagar juros”, declarou.

Flávio também comparou os resultados das estatais nas duas últimas gestões presidenciais. 

“Com o presidente Bolsonaro, as estatais deram R$ 18 bilhões de superávit ou de lucro. Com o Lula, já são R$ 36 bilhões de prejuízo dessas estatais”, afirmou. 

Outro número citado pelo candidato foi o gasto federal em ano eleitoral. “O atual presidente da República já gastou quase 350 bilhões de reais para tentar se reeleger”, declarou.

Na área ambiental, o senador mencionou recordes de queimadas na Amazônia.

Ministro da Saúde terá liberdade para agir em emergências

O candidato do PL também falou sobre sua opção para ministro da Saúde, o médico Claudio Lottenberg. Durante a pandemia de Covid-19, o oftalmologista que presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein por 15 anos criticou a demora na compra das vacinas pelo governo de Jair Bolsonaro. Segundo o doutor, nenhuma das desculpas usadas para justificar a demora era adequada.  

Flávio afirmou que o futuro ministro da Saúde terá autonomia para tomar decisões diante de situações de emergência. O candidato ainda comentou que, ao chamar Lottenberg para sua equipe, a ideia é trazer o padrão de hospitais de ponta para o serviço público de saúde. 

“É para o SUS ter padrão Einstein. Eu quero que você tenha acesso à tecnologia que os ricos têm lá no Albert Einstein, você que precisa do serviço público", disse o senador.

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