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O técnico paranaense Adílson Batista, no início da carreira fora dos gramados, em 2003, à frente do Paraná Clube | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
O técnico paranaense Adílson Batista, no início da carreira fora dos gramados, em 2003, à frente do Paraná Clube| Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Uma vitória simples sobre o Estudiantes, na quarta-feira, é suficiente para dar ao paranaense Adílson Batista o segundo título da Libertadores. O primeiro como técnico – capitão do Grêmio de Felipão, ergueu o troféu em 1995. Confirmado o favoritismo do Cruzeiro, será o único caso na história do principal torneio da América em que um ex-jogador dará a volta olímpica também na função de treinador.

A turma que acompanhou o início da carreira de Adílson no Atlético não se surpreende. O Pezão, apelido herdado dos tempos de Pavoc (o CT rubro-negro na época), dizem eles, é capaz de muito mais. "Desde novinho já exercia o papel de líder, se impunha. A gente sabia que tinha muita qualidade, que ia ter futuro", afirma o ex-jogador Assis, companheiro no time campeão paranaense de 1988.

Natural de Adrianópolis, a cerca de 120 km de Curitiba, na divisa com o estado de São Paulo, Adílson chegou ao Furacão por indicação de um olheiro. Como não tinha nada a perder, Valmor Zimermann (presidente do Atlético na época) aceitou empregar o garoto. Não se arrependeu. "Ele tinha talento", ressalta o ex-dirigente.

Valmor, ao lado de Levir Culpi, foi quem pinçou a promessa para o time profissional. Indiretamente, acabou sendo o responsável por mudá-lo de função. Ele conta a passagem sem esconder o saudosismo.

"Estávamos precisando de um quarto zagueiro. Fomos assistir a um treino do time júnior, e não demorou muito para descobrirmos o Adílson. Ele era o volante da equipe. Lembro que falei para o Levir: "está aí o nosso zagueiro’", recorda Zimermann. "Não deu outra. Treinou, já como beque, com o elenco principal na sexta, jogou no domingo e não saiu mais do time. Não se intimidou em meio a feras como Carlinhos Sabiá, Roberto Costa...", emenda.

Não se intimidou, mas, como bom calouro, teve de aguentar as brincadeiras dos veteranos. "A gente fazia muita piada, pegava no pé. O Adílson tinha um Fusquinha velho, mas conservado. Cor bege medroso. Ninguém se arriscava a pegar carona. Ele era ruim de roda pra caramba", diz Assis. "Uma vez entrei no Fusca e pedi para me levar só até o posto (na esquina da Baixada), onde o meu carro estava estacionado. Foi um sufoco danado!", completa, rindo, o Maneca.

O Pezão teve de conviver com outro tipo de "perseguição" no período. Nelsinho Baptista, comandante na conquista de 88, não deixava o novo defensor em paz. "Tecnicamente era acima da média. Não dava chutão, só queria sair jogando. Gostava de meter chapéu no atacante. Só que zagueiro precisa jogar feio de vez em quando. Dei muita bronca nele por causa disso", relembra o técnico, padrinho de casamento de Adilson. "Ele aprendeu com o tempo e virou um grande zagueiro".

Depois do Atlético, rodou na sequência pelos principais clubes do país, até pendurar as chuteiras no Corinthians, logo após o título mundial, em 2000.

A capital paranaense voltaria a cruzar o destino do cruzeirense algum tempo depois. Adilson havia incorporado o sobrenome Batista, virado "professor". Desempregado após deixar o Avaí, no começo de 2003, saía de casa, no Jardim Social, e atravessava a cidade até a CIC só para assistir aos treinos de Cuca no Paraná – o Tricolor treinava no campo da Volvo. "Ele queria aprender, vencer na vida", diz Durval Lara Ribeiro, o Vavá, integrante da cúpula paranista na ocasião.

Cuca foi embora para o Goiás durante o Brasileiro daquele ano. Antes, porém, indicou o nome do conterrâneo à diretoria. A passagem relâmpago pela Vila Capanema não foi marcante (três vitórias, um empate e quatro derrotas), mas acabou por abrir as portas do Grêmio. Desde então, o Pezão vem emplacando trabalhos consistentes. "Ele é diferente dos outros treinadores. Aplica o melhor treinamento tático que eu já vi", elogia Vavá, relacionando a saída de Adílson a pressão de torcedores e conselheiros. "É interessado, trabalhador. Dava para perceber que teria um futuro muito promissor", acrescenta José Domingos, ex-vice de futebol tricolor.

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