As provas do atletismo começam a ser disputadas amanhã, mas, desde o início dos Jogos de Londres, um grupo de atletas norte-americanos tenta superar uma barreira: a Regra 40 da Carta Olímpica – documento que regula os Jogos e que proíbe a vinculação do evento e de seus participantes com empresas e fins lucrativos.

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Na prática, a norma impede os atletas de exibirem as marcas de seus patrocinadores, exceto se esses forem os mesmos que bancam o evento e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

A restrição se estende à internet, em sites e mídias sociais.

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E foi justamente nas redes sociais que os atletas mostraram sua insatisfação, bombardeando o Twitter com as hashtags – rótulos que identificam o tema das mensagens publicadas – #WeDemandChange (#exigimos mudanças) e #Rule40 (Regra 40), cobrando o abrandamento da legislação.

A criação de barreiras contra o "marketing de emboscada" não é novidade nos Jogos, mas é a primeira vez que atinge ostensivamente aos atletas. Em Londres, há até um manual lançado pelo Comitê para os competidores, explicando o que é ou não permitido.

A revolta dos atletas está em ter de esconder os nomes de quem banca seus treinamentos justamente na hora em que dariam sua maior contrapartida: a visibilidade olímpica. A bandeira da necessidade de revisão da Regra 40 é defendida pela ex-campeã mundial dos 400 m, Sanya Richard-Ross.

Via Twitter, outros atletas norte-americanos mostram-se contra a cartilha do Comitê. O velocista Dawn Harper, dos 100 m rasos, postou uma foto em que aparece com a boca tapada por uma fita com a inscrição Rule 40.

Já a atleta dos 800 m, Alysia Montaño, recebeu a ajuda de uma colega, a corredora Lauren Fleshman, não classificada para os Jogos, para protestar e burlar a norma. Lauren postou: "Eu não tenho de seguir a #regra40. Você tem? @redbull dá asas a @Alysia800. #exigimosmudanças", referindo-se à marca de bebida energética que patrocina Alysia.

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Os protestos dos norte-americanos causam um clima de estranheza ao início do atletismo nos Jogos. Sua representatividade na modalidade é indiscutível. Em Pequim-2008, o país ficou com 23 das 141 medalhas.

O chefe de missão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Bernard Rajzman, disse, ontem, desconhecer os protestos e revelou que a delegação nacional foi orientada sobre o que publicar em seus sites e perfis nas mídias sociais. "Cada um [atleta] sabe como se comportar e responde por seus atos", afirmou o dirigente.