O governo brasileiro suspeita que a Fifa esteja usando critérios técnicos e supostas exigências tecnológicas com o objetivo de empurrar ao país produtos de seus parceiros comerciais nas obras para a Copa do Mundo de 2014. Técnicos do governo já foram instruídos a ficarem atentos às imposições da Fifa, na tentativa de evitar que o Brasil sirva como mercado para produtos e serviços que são comercializados por empresas que têm contratos com a entidade. Mas o temor é de que, mesmo sem saber, isso já esteja ocorrendo.

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Hoje, uma delegação brasileira estará na sede da Fifa, na Suíça, para tentar convencer a entidade que está em dia com as obras para o Mundial, enterrar de vez a polêmica do "chute no traseiro" criada pelo secretário-geral, Jérôme Valcke, e dar provas de que, mesmo com o cronograma apertado, os prazos para conclusão de estádios como Maracanã, Salvador e Recife, visando à Copa das Confederações de 2013, serão respeitados.

Apesar de publicamente decretar a paz, a tensão continua. O governo brasileiro já foi alertado até pelos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres de que empurrar produtos de patrocinadores foi algo que os ingleses tiveram de frear, no caso do Comitê Olímpico Internacional (COI). Eles sugeriram que o Brasil redobre a vigilância com a Fifa.

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Segundo os ingleses, a prática é simples: os inspetores e o pessoal técnico da Fifa usam critérios específicos em contratos, estipulando que apenas determinados produtos podem ser usados em obras e instalações. O problema é que o tal produto somente é fabricado nas especificações exigidas por empresas que, coincidentemente, têm contratos com a Fifa e pagam milhões de dólares para financiar a entidade.

"O que estamos tentando fazer é separar o que é de fato uma necessidade técnica e o que é comércio", afirmou um representante do governo. Há impasse, por exemplo, em relação à drenagem dos gramados dos estádios. A Fifa exige que seja implantado o sistema a vácuo, bem mais caro do que outros métodos. O governo desconfia que os fornecedores dessa tecnologia sejam ligados à entidade, além de não estar convencido de que essa seja a única solução para a questão da drenagem.

O clientelismo da Fifa não é o único ponto de atrito. O Bra­­sil não aceita pagar pela tecnologia de celulares e internet nos estádios, nas concentrações e no centro de imprensa. Segundo o governo, o impasse está na interpretação do acordo assinado em 2007. No texto, o país se compromete a "disponibilizar" os serviços de telecomunicações. Mas Brasília pretende cobrar por isso. A entidade insiste que o governo deve arcar com os custos.

Da parte da Fifa, a meta é a de fechar com Rebelo um calendário fixo para os trabalhos durante os próximos 24 meses.

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