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Arquitetura
Cabana sustentável oferece hospedagem emoldurada pela Represa do Capivari

Painéis solares posicionados sobre as telhas da cabana são responsáveis pela geração de energia necessária para o local. | Divulgação
O conjunto de montanhas às margens da represa do Capivari compõe o cenário avistado a partir de uma cabana sustentável. A construção, localizada a 50 km de Curitiba, é um destino para quem busca um turismo responsável. Com sistema de energia autônomo e reaproveitamento de água, a Cabana Capivari destaca-se em meio a uma área de preservação da Mata Atlântica.
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Construído em formato triangular, o projeto segue o estilo A-frame e foi planejado por Roger Camillo, da Setta Arquitetura. “O nome deriva do sistema construtivo em formato de A. As estruturas modulares dão resistência para que as cabanas sejam construídas em locais com incidência de ventos muito fortes”, explica o arquiteto que é especialista em cabanas. O telhado funciona também como parede e o destaque vai para a exaltação de revestimentos naturais.

A construção é feita 90% em madeira, e leva outros materiais apenas na base de suporte e nos banheiros, por questão de funcionalidade. Entre o cedro, a cambará e o pinus, a escolha da madeira foi feita de acordo com o propósito buscado. “O objetivo era a sensação de impacto. Por isso, pintamos a estrutura principal da cabana de preto. No forro e no assoalho, o cedro mesclado agrega ao visual, devido à aparência da madeira. Enquanto na estrutura foi usada a cambará e, no deck, o pinus tratado”, detalha o arquiteto.
A vista do alto, devido à altitude do terreno, mostra a Serra do Mar com um conjunto de montanhas logo após as águas da represa Capivari. Esse quadro, segundo Camillo, foi o norteador para o posicionamento da cabana, que tem a fachada voltada para o nascer do sol. Para ampliar o olhar, o vidro é aproveitado em diversos espaços, como a claraboia acima do mezanino, que garante a vista para as estrelas durante a noite.
Arquitetura sustentável

Idealizada por David Amarilla e sua esposa, Joara Saraiva, a cabana é autossustentável. Em fase de estruturação do projeto, a ideia seria transformá-la em uma residência. No entanto, com o início da pandemia, a oportunidade de uma hospedagem isolada, com check-in e check-out sem contato com outras pessoas chamou a atenção dos proprietários. “O objetivo era oferecer para o hóspede um turismo diferente, principalmente em relação à sustentabilidade, para que as pessoas tenham a ideia de que é possível estar em meio à natureza sem prejudicá-la”, observa Amarilla.
Em uma área isolada e sem rede de distribuição de energia, a solução partiu de um sistema off-grid, desconectado de qualquer rede. Oito placas solares posicionadas no telhado produzem energia suficiente para alimentar todos os pontos de luz dos ambientes internos e externos. A partir disso, a geração de resíduos também se tornou uma preocupação. “Toda a água suja que a cabana produz vai para um biodigestor, que trata a água em até 95%, e essa água é reutilizada para a rega de plantas”, aponta o empresário.

Na construção, a sustentabilidade também foi um fator indispensável do projeto. “Fizemos uso de madeiras de reflorestamento e temos a redução de desperdício de materiais, uma vez que a madeira pode ser transformada”, aponta Camillo. Nos materiais da área externa, o telhado é composto por telhas ecológicas, que são produzidas a partir de fibras vegetais extraídas por reciclagem, revestidas com pigmentos minerais, resina e impermeabilizadas com asfalto. Todos os artifícios combinados para manter a preservação do entorno e para reduzir o impacto gerado pela casa.
Ao adentrar a porta

O espaço compacto é característico de cabanas e segue o conceito das tiny houses, movimento que leva o minimalismo à arquitetura e ao cotidiano de casas pequenas. “Apostamos na integração de ambientes para que a cabana não ficasse tão longa. O ar quente fica contido na parte de cima e mantém o mezanino mais aquecido durante os períodos de frio”, observa o especialista.

O ambiente reúne sala de estar, sala de jantar, cozinha e banheiro. Ao subir as escadas, o mezanino parcial é composto apenas pelo quarto, com uma cama de casal embutida no chão. A decoração rústica mescla a aparência natural da madeira e a cor preta em acabamentos e tecidos. Para que o foco da experiência seja no entorno, o design e os móveis seguem uma linha minimalista, planejada e executada pelos proprietários.