
O programa de conservação e uso racional da água nas edificações foi criado em 2003 pela lei municipal 10.785. Desde então, todos os prédios construídos em Curitiba devem ser dotados de instrumentos que permitam a coleta da água da chuva. Além do benefício ambiental, já que a água coletada não sobrecarrega as bocas de lobo nas ruas, os moradores também sentem no bolso uma redução de até 50% no valor mensal da conta de água.
O condomínio do engenheiro João Codagnoni é mais antigo e não possuía este sistema de coleta e uso da água da chuva. Depois que duas caixas dágua de mil litros foram implantadas sobre a churrasqueira do prédio, a conta de água do prédio foi reduzida em R$ 200 por mês. "Foi um processo bem simples, o encanador puxou o cano da calha do telhado e o custo diminuiu. A água é usada principalmente para a lavagem do prédio e como chove bastante em Curitiba, normalmente as caixas estão cheias", relata.
De acordo com informações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), para calcular a economia de um prédio com a captação deve-se levar em conta variáveis como o tamanho do edifício, a área de captação, a área para armazenamento, quantos moradores utilizariam a água, quais os fins principais e o tempo de estiagem. Conhecendo o índice pluviométrico do local, é possível determinar a viabilidade do projeto.
Segundo a engenheira civil mestre em recursos hídricos Josete de Fátima de Sá, um condomínio que utilize a chuva, incluindo o uso nos vasos sanitários, teria uma economia de 50% na conta. Sem a descarga, a economia poderia chegar a até 30%.
"Depende muito do uso, um cliente com uma transportadora conseguiu reduzir em 70% os custos. Outra cliente implantou o sistema nos vasos sanitários, na irrigação do jardim e na conta paga somente a taxa mínima da Sanepar. Todo o processo não potável é feito com a água da chuva", explica a designer de interiores Joana Schimitt, que trabalha há oito anos com este sistema.
Na descarga
A engenheira civil Josete de Fátima de Sá explica que, mesmo com a filtração da água da chuva e canalização em tubulação adequada, a água que chega aos vasos sanitários pode trazer alguma matéria orgânica. "Quando as pessoas veem isso incrustado no vaso, apertam com mais frequência a descarga para tentar limpar e não acabam economizando", explica. Segundo ela, a Sanepar desestimula o uso desta água nos banheiros, pois a água eventualmente entra em contato com a pessoa, e, por não passar por uma desinfecção, pode causar problemas.



