Os últimos eventos de violência no Afeganistão e a estratégia para a transição nesse país obscureceram a visita oficial aos Estados Unidos do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e suas reuniões com o presidente Barack Obama.
Ambos publicaram nesta terça-feira um artigo conjunto no jornal "The Washington Post" no qual expressaram seu compromisso "durável" com a segurança no país asiático e elogiaram os progressos alcançados para desmantelar a rede terrorista Al Qaeda, frear o avanço talibã e continuar o treinamento das forças afegãs.
O artigo é divulgado dois dias depois que um militar americano, por motivos ainda desconhecidos, assassinou 16 civis, entre eles mulheres e crianças no sudoeste de Kandahar.
O incidente não fez mais que botar lenha na fogueira das já frágeis relações entre o governo do presidente Hamid Karzai e os EUA.
Em declaração dada hoje no jardim da Casa Branca, Obama assegurou que seu governo averiguará até as últimas consequências o massacre de domingo.
"Os EUA tratarão esse assunto como se (os mortos) fossem seus próprios cidadãos ou seus filhos", declarou o presidente americano, que insistiu que o massacre dos civis afegãos é um fato "vergonhoso e inaceitável".
Obama reiterou que, apesar do incidente, que ocorre semanas após soldados americanos queimarem exemplares do Corão, o que provocou uma onda de protestos, os EUA não pensam em mudar sua estratégia em relação ao Afeganistão e manterá o calendário de retirada.
A estratégia para a transição, que será debatida na cúpula da Otan em Chicago, será um dos principais assuntos abordados pelos dois líderes em suas conversas, segundo anteciparam tanto a Casa Branca como Downing Street.
Porém, Obama e Cameron optaram por começar seus contatos com um programa mais leve e os dois viajaram a bordo do avião presidencial, Air Force One, para Dayton, em Ohio, para assistir a uma partida da liga universitária de basquete.
Segundo indicaram fontes da Casa Branca, os líderes conversaram durante o breve voo, de cerca de uma hora. A conversa serviu de prévia para a reunião oficial que acontecerá amanhã na Casa Branca, na qual tratarão não apenas a situação no Afeganistão, mas também os eventos na Síria e o programa nuclear iraniano.
A situação no Oriente Médio e a crise da dívida nos países da eurozona também serão abordados pelos dois líderes, que hoje em seu artigo ressaltaram que "a aliança entre EUA e Reino Unido é uma aliança de coração, ligada pela história, pelas tradições e pelos valores que compartilhamos".
Após a reunião, Cameron participará de um almoço em sua homenagem no Departamento de Estado, onde terá como anfitriões o vice-presidente, Joe Biden, e a secretária de Estado, Hillary Clinton.
Pela tarde, o primeiro-ministro e sua esposa visitarão crianças da cidade de Washington antes de participarem de um banquete na Casa Branca.
A visita do primeiro-ministro aos EUA concluirá na quinta-feira, quando se deslocará a Nova Jersey e Nova York para participar de uma série de atos.