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Com apoio dos Estados Unidos, a Liga Árabe e o Catar pediram nesta terça-feira (31) ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que tome providências imediatas para conter a violência na Síria e que dê seu aval a um plano árabe que leve ao afastamento do presidente Bashar al-Assad. Enquanto isso, as tropas do governo sírio retomaram nesta terça-feira (31) o controle dos subúrbios de Damasco, capital da Síria, depois de expulsarem os rebeldes na entrada da cidade. "Todos nós temos uma opção: ficar ao lado do povo da Síria e da região, ou nos tornarmos cúmplices da continuada violência", disse a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, ao Conselho de Segurança, que reúne 15 países. "Os Estados Unidos conclamam o Conselho de Segurança a apoiar a exigência da Liga Árabe para que o governo sírio encerre imediatamente todos os ataques contra civis e garanta a liberdade de manifestações pacíficas", acrescentou. O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, pediu uma ação "rápida e decisiva" do Conselho, ao passo que o primeiro-ministro catariano, xeique Hamad bin Jassim al Thani, alertou que "a máquina assassina (do governo sírio) continua em funcionamento". "Não decepcionem o povo sírio no seu drama", disse Elaraby, pedindo o apoio do Conselho à resolução euro-árabe que manifesta aval ao plano da Liga. Ele disse que os países da região estão tentando evitar uma intervenção militar estrangeira na crise síria, que começou há dez meses e já resultou em milhares de mortes. O xeique Hamad também enfatizou esse ponto, e sugeriu que o Conselho use a pressão econômica contra Damasco. "Não estamos pedindo uma intervenção militar", disse o xeque. "Estamos defendendo que se exerça uma pressão econômica concreta para que o regime sírio possa perceber que é imperativo atender às exigências do seu povo."
Rejeição A rejeição pública a uma intervenção militar pareceu ter sido evocada para agradar à Rússia, que ameaça vetar qualquer resolução que leve a uma intervenção estrangeira nos moldes da que ocorreu no ano passado na Líbia. O chanceler britânico, William Hague, também disse ao Conselho que a resolução "não prevê uma ação militar e não poderia ser usada para autorizá-la". Na mesma toada, o chanceler francês, Alain Juppé, qualificou de "mito" a ideia de uma intervenção. "Estamos prontos para votar o texto agora", afirmou. Tanto o xeique Hamad quanto Elaraby atribuíram integralmente a crise síria ao governo de Assad, ao passo que a Rússia tentou distribuir a culpa igualmente entre o governo e a oposição. Elaraby afirmou que a oposição só recorreu à luta armada, nos últimos meses, por causa do "uso excessivo da força" por parte das autoridades. O embaixador sírio junto à ONU, Bashar Ja'afari, negou que o governo de Assad tenha provocado a crise, e acusou os Estados Unidos e seus aliados europeus de desejarem conquistar novos territórios no Oriente Médio. Segundo ele, as potências ocidentais sonham com "o retorno do colonialismo e da hegemonia". Hillary declarou que, ao contrapor grupos étnicos e religiosos, os líderes sírios estão deixando o país mais perto de uma guerra civil. "As evidências são claras de que as forças de Assad estão iniciando quase todos os ataques que matam civis, mas, conforme mais cidadãos pegam em armas para resistir à brutalidade do regime, a violência tem uma probabilidade crescente de escapar ao controle", afirmou ela.