O presidente da Síria, Bashar al-Assad, se comprometeu nesta terça-feira (7) a cooperar com "qualquer esforço que apoie a estabilidade" em seu país e a dialogar com as diversas forças políticas internas, durante sua reunião com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.
Assad, segundo as declarações divulgadas pela agência oficial síria "Sana", afirmou que seu país cooperou desde o início com a missão de observadores da Liga Árabe - suspensa devido à continuidade da violência.
O líder reiterou que a Síria respaldou os esforços para buscar uma solução à crise, assim como o cumprimento do plano da Liga Árabe de novembro passado, que estipulava o fim da violência e a retirada das tropas das cidades, entre outros assuntos.
No entanto, ele não fez referência ao último plano da Liga Árabe, que pede a transferência dos poderes ao vice-presidente e a formação de um governo de união nacional.
Em sua reunião com Lavrov em Damasco, Assad agradeceu à Rússia pelo apoio russo ao "diálogo e as soluções nacionais" e pelo veto de sábado passado ao projeto de resolução apresentado pelo Marrocos no Conselho de Segurança da ONU. O texto buscava a condenação do regime sírio.
Para o presidente sírio, a escalada das ameaças de alguns países contra Damasco indica que estes "não levam em consideração os interesses do povo sírio nem sua visão de realizar reformas internas sem a ingerência externa".
Como já antecipou Lavrov em suas declarações após o encontro, Assad se comprometeu a empreender "um diálogo do qual participem representantes do governo, oposição e figuras independentes".
O chanceler russo afirmou ainda que seu país não irá tolerar uma intervenção externa para solucionar a crise síria e destacou que o presidente Assad está "totalmente comprometido com a interrupção da violência, independente de onde provenha".
A visita do diplomata russo a Damasco, onde foi recebido por uma grande concentração de simpatizantes do regime, ocorre no mesmo dia em que países europeus como França, Itália e Espanha anunciaram que chamaram para consultas seus embaixadores na capital síria.
Além disso, os países-membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) decidiram nesta terça-feira retirar seus embaixadores devido ao aumento da violência e à rejeição de Damasco à iniciativa da Liga Árabe para a crise.