Um dia depois de amargar uma contundente vitória da campanha governista no primeiro turno, o candidato à Presidência da Colômbia, Antanas Mockus (Partido Verde), viu suas chances de recuperação no segundo turno se reduzirem ainda mais.
O terceiro e quarto candidatos mais votados anunciaram que não apoiarão ninguém na votação final em 20 de junho.
Mockus, que alcançou 21,5% dos votos contra 46,5% do ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, fez, no seu discurso transmitido na tevê ontem à noite, um chamado à coalizão a Germán Vargas Lleras (Cambio Radical), que teve 10,16% dos votos, e a Gustavo Petro, do esquerdista Polo Democrático, que amealhou pouco mais de 9%.
Lleras disse que não endossará ninguém no segundo turno, e o rumo do seu partido, hoje na coalizão uribista, é seguir o ex-ministro de Álvaro Uribe.
Já Petro, que superou em 200 mil votos a performance de seu partido nas eleições legislativas de março, preferiu posicionar-se já num eventual novo governo de Santos. "Serei seu primeiro opositor, disse. Ainda assim, o Polo anunciaria até hoje seu posicionamento formal.
Para analistas, os quase 7 milhões de votos de Santos demonstram a força do uribismo na Colômbia. O movimento de Uribe conseguiu englobar tanto grandes parcelas dos tradicionais partidos Liberal e Conservador -que dominaram a política colombiana por 150 anos- como articular a elite rural das regiões, de onde vem Uribe, com a elite urbana, representada pela família Santos.
Ontem, o candidato governista foi recebido por Uribe. Não houve declarações públicas, mas o gesto reforça a estratégia da campanha de reverência e agradecimento ao presidente que tem mais de 70% de aprovação.
Decepção
Enquanto isso, Mockus confessou a uma rádio que o resultado o decepcionou. Afirmou que as pesquisas de opinião, que mostravam empate técnico há oito dias, tinham gerado muita esperança. Agora, diz, ganhar "não é provável, "mas é possível.