China e Taiwan assinaram nesta terça-feira (4) um acordo histórico, que permitirá o trânsito de navios de carga entre o continente e a ilha pela primeira vez em 60 anos, aumentará o número de vôos diretos e expandirá o serviço postal.
O tratado é o mais significativo gesto oficial de aproximação entre o continente e a ilha desde 1949, quando os comunistas venceram a guerra civil contra os nacionalistas, que se refugiaram em Taiwan.
Apesar de milhares de empresas taiwanesas terem cruzado o estreito e se estabelecido na China nas últimas décadas, as rotas comerciais entre as duas regiões continuam bloqueadas. As cargas têm que ser enviadas a outros países para, só então, serem destinadas à China ou a Taiwan. Até o mês de julho, as viagens aéreas estavam submetidas a um regime semelhante, e quem quisesse voar do continente para a ilha tinha que ir até Hong Kong e tomar um outro avião.
As restrições sobre as rotas de passageiros começaram a ser amenizadas em julho, quando os primeiros vôos diretos foram permitidos. O acordo desta terça triplica para 108 o número de rotas semanais entre as duas regiões.
Sob influência do escândalo da contaminação de leite com a substância química melamina na China, o tratado também destaca a importância do controle de qualidade de alimentos e estabelece um mecanismo de alerta mútuo na eventual ocorrência de problemas
O acordo foi firmado dez dias depois de 500 mil taiwaneses terem saído às ruas de Taipei para protestar contra a política de aproximação com a China promovida pelo presidente Ma Ying-jeou, eleito em março.
Filiado ao Partido Nacionalista de Chiang Kai-shek, Ma promoveu uma radical mudança no relacionamento da ilha com o continente, abandonando a política de confrontação e independência formal defendida por seu antecessor, Chen Shui-bian, do Partido Democrático Progressista.
Na prática, Taiwan tem um governo totalmente independente da China, mas não possui o status de país na comunidade internacional. As autoridades de Pequim consideram a região uma como uma província "rebelde" e sustentam que ela é parte integrante da China.
Para o Partido Comunista, a reunificação do continente com a ilha acontecerá cedo ou tarde e será estimulada pela crescente dependência econômica entre os dois lados.