A candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, apresentou neste sábado (23), em Miami, seu candidato à vice-presidência, o senador Tim Kaine.
Senador pela Virgínia, Kaine “está qualificado para ocupar este posto e liderar desde o primeiro dia. É um progressista, que gosta de concretizar as coisas. É meu tipo”, disse Clinton ao inaugurar o encontro no estádio da Universidade Internacional da Flórida.
Uma multidão segurava cartazes azuis com“Clinton-Kaine” escrito. Atrás do palco onde os candidatos fizeram o discurso, um letreiro mostrava “Stronger Together” (“Mais fortes juntos”).
Melanie Neitas, uma enfermeira de 60 anos, gritou de entusiasmo quando a candidata democrata prometeu construir “pontes, não muros”, referindo-se à insistência de seu rival republicano Donald Trump de construir uma barreira à entrada mexicanos.
“Ela é quem vai nos ajudar a ser o país que queremos. Os Estados Unidos são um país humanitário, de integração”, disse Neitas, tentando não chorar.
“Sei que para muitos de vocês está é a primeira vez que me escutam falar. E sejamos honestos, para muitos de vocês é a primeira vez que escutam meu nome”, afirmou Kaine ao subir ao palanque. “Sou uma das 20 pessoas da história [dos Estados Unidos] que trabalhou como prefeito, governador e senador”, prosseguiu.
Tim Kaine, de 58 anos, foi prefeito de Richmond (1998-2001), vice-governador e governador da Virgínia (2006-2010), presidente do Partido Democrata (2009-2011) e é senador desde 2013.
“Dessa modo, pude presenciar a forma como o governo funciona, e a forma como não funciona”, disse Kaine, intercalando algumas palavras em espanhol.
E-mails prejudiciais
Nesta semana, o número 2 do rival republicano Donald Trump, o governador de Indiana, Mike Pence, aceitou sua indicação à vice em uma tumultuada convenção republicana em Cleveland.
Hillary Clinton, que abandonou o microfone no encontro em Miami depois de um curto discurso para dar espaço a seu vice, disse que “o senador Tim Kaine é tudo o que Donald Trump e Mike Pence não são”.
As pesquisas sugerem que o magnata nova-iorquino está muito perto de Clinton, que ainda luta para superar o escândalo pelo uso de seu servidor pessoal de e-mails quando era secretária de Estado.
O Partido Democrata sofreu um revés na sexta-feira: o Wikileaks vazou mais de 19 mil mensagens, algumas de seus altos dirigentes.
Alguns desses e-mails sugeriam esforços para atrapalhar a eficiente campanha de Bernie Sanders, o outro aspirante democrata, que já deixou a corrida presidencial.
No dia 5 de maio, por exemplo, o diretor financeiro do partido, Brad Marshall, pediu em um email a colaboradores que designassem “alguém [em Kentucky e na Virgínia Ocidental] para que questionem suas convicções”, referindo-se a Bernie Sanders, que não foi explicitamente citado.
“Se acredita em Deus. Se limitou a dizer que tinha uma herança judia. Acho que li que ele é ateu. Isso poderá fazer vários pontos de diferença. Para os meus [da Igreja Batista], faz muita diferença entre judeu e ateu”, escreveu Marshall, dando a entender que se demostrasse ser ateu, o senador por Vermont poderia ter sua campanha prejudicada.
Trump tentou capitalizar este revés publicitário, na tentativa de atrair para si os eleitores de Sanders.
“Os e-mails vazados do comitê do Partido Democrata mostram os planos de destruir Bernie Sanders. Riem de sua herança e muito mais”, tuitou Trump neste sábado (23).
O chefe da campanha de Sanders, Jeff Weaver, pediu explicações sobre a crescente controvérsia neste sábado, em uma entrevista ao canal ABC News. “Alguém tem que prestar contas”, disse Weaver. Para ele, os e-mails demonstram uma prática equivocada.
“Temos um processo eleitoral. O Partido Democrata, de acordo com seus estatutos, deve ser neutro com os candidatos. Claramente não foi”, acrescentou Weaver na entrevista.
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