Buenos Aires Quão diferente o governo de Cristina Kirchner poderá ser do de seu marido? Provavelmente, muito pouco. Segundo especialistas, umas das áreas em que Cristina poderá se destacar de Néstor são as relações internacionais. Suas freqüentes viagens ao exterior recentemente podem ser uma indicação disso. Além do Brasil, onde foi recebida por Lula, Cristina esteve apenas neste ano com os então candidatos à Presidência da França Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal, com Hugo Chávez, na Venezuela, e Ângela Merkel, na Alemanha.
"Acho que Cristina irá aprofundar suas relações com o Chávez, Lula e os países do Mercosul. Será bom para o bloco", acredita o pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, Nicolas Casulla. Ao mesmo tempo que vai tentar manter as relações com o político venezuelano (até porque a Argentina está bastante interessada no gasodutos da Amércia, projeto de Chávez), é possível que Cristina inicie um processo de aproximação política com os Estados Unidos. Na última quarta-feira, em entrevista a uma rádio, Cristina afirmou que a relação com os norte-americanos "continuará séria e madura" como foi com o governo de Nestor.
Compatibilidade
Segundo o economista Aldo Abram, da consultoria Exam, não haverá grandes mudanças no Mercosul. "O grande problema do Mercosul é o momento diferente de cada país. Na época em que a Argentina está querendo mais livre comércio, vocês (o Brasil) são mais protecionistas. Quando vocês querem liberar, a gente quer proteger. Um bloco só dá certo quando os sócios querem mesmo liberdade de comércio", afirma ele.
No comércio bilateral entre os dois país, atualmente pouco mais de 20 produtos estão na lista de lista de bens conflituosos. Outro problema enfrentado pelo Mercosul é pouco crescimento do comércio intra-bloco, apenas 5% entre 1990 e 2005.
País vive maior período de democracia de sua história
Buenos Aires Os principais candidatos à Presidência da Argentina usaram até o último momento de sexta-feira, permitido pela lei eleitoral, para tentar convencer os eleitores indecisos. Ontem, faltando um dia para as eleições, já não podiam fazer campanha e todos se mantiveram longe dos microfones e dos palcos. A candidata oficial, Cristina Fernández de Kirchner (Frente para a Vitória) e seu marido viajaram para a província dele, Río Gallegos. Os demais candidatos permanecem na capital federal.
Cerca de 27 milhões de eleitores estão habilitados para irem às urnas hoje. Trata-se da sexta eleição presidencial desde 1983, ano do fim da ditadura militar. Esse é o período democrático mais longo que a Argentina conhece desde que se institucionalizou a lei Sáenz Peña com o voto obrigatório, secreto e universal, em 1912. Será a primeira vez que três mulheres disputam a Presidência, mas nenhuma é candidata escolhida por uma eleição interna de um partido ou representa um partido tradicional. Todas são representantes de coalizões, como Elisa Carrió e Vilma Ripoll, ou alas dissidentes de seus partidos, como Cristina Kirchner. São 14 chapas.
Haverá mais de 73 mil mesas distribuídas em todo país para eleger, além do novo presidente que comandará o país pelos próximos quatro anos, a partir do dia 10 de dezembro, 130 deputados nacionais, 24 senadores e mais de 300 deputados provinciais.
A eleição deste domingo será a quarta desde que a Constituição foi reformada em 1994 para permitir a reeleição de Carlos Menem em 1995.