A crise diplomática entre a Colômbia e a Venezuela promete marcar o compasso das discussões da 39ª reunião de cúpula de ministros e presidentes do Mercosul, que começa hoje na cidade argentina de San Juan, capital da província homônima, a apenas cinco dias da posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos.
"Não é um assunto de agenda", tentou minimizar o chanceler argentino Héctor Timerman. Mas ele admitiu que o caso estará sobre a mesa de discussões: "Os presidentes mantém diálogos sobre todos os assuntos".
Formalmente, a agenda oficial da cúpula estará centrada na discussão sobre o fim da dupla tributação alfandegária - que arrasta-se sem solução há seis anos - e o lançamento do código alfandegário, que estaria "quase pronto", segundo a diplomacia em Buenos Aires.
Além disso, os integrantes do Mercosul também esperam anunciar um acordo de livre comércio com o Egito, além de avaliar o andamento da retomada das negociações para um acordo com a União Europeia (UE). Os governos do Mercosul também anunciarão uma série de investimentos realizados pelo Fundo de Convergência Estrutural (Focem).
O pivô da crise caribenha que chama a atenção do Cone Sul são as denúncias do presidente colombiano Álvaro Uribe sobre a suposta presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em acampamentos dentro de território venezuelano. As acusações são categoricamente rejeitadas por Chávez, que mobilizou tropas para a fronteira com a Colômbia para evitar uma hipotética e iminente invasão ordenada por Uribe ou por "El Império" (denominação que aplica para os Estados Unidos, aliado da Colômbia).
Além de Chávez, que promete ser a estrela da reunião, estarão presentes em San Juan os presidentes dos países-sócios do Mercosul, isto é, Luiz Inácio Lula da Silva, o uruguaio José Mujica, o paraguaio Fernando Lugo, além da anfitriã do evento, a presidente Cristina Kirchner. Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Sebastián Piñera, irão na categoria de presidentes de países associados do Mercosul.
Comissão da Câmara dos EUA aprova PL para barrar entrada de Moraes no país
Em baixa, Lula tenta acelerar PIB com saque do FGTS; medida pressiona inflação e juros
Citando Brasil, governo Trump chama de antidemocrática censura contra empresas dos EUA
O que Lula quer com a reforma ministerial; ouça o podcast