Dois mil, novecentos e oitenta e dois nomes serão lidos na manhã do próximo domingo durante a cerimônia com mais de quatro horas de duração que abre o Memorial 11 de Setembro, em Nova York. Pontuado por minutos de silêncio, o programa honra a memória das vítimas dos atentados de 2001 e também daqueles que morreram em 1993, quando terroristas tentaram derrubar as Torres Gêmeas do World Trade Center pela primeira vez, detonando quase 700 quilos de explosivos em um dos estacionamentos.
Até que o plano de jogar aviões Boeing contra os edifícios de 110 andares fosse colocado em prática, as estruturas eram descritas como indestrutíveis superprédios que jamais seriam derrubados. Uma noção esmagada em 2001 por ataques engendrados em um dia que ainda não acabou e deixou parte do mundo refém do terror .
A data no calendário virou um evento histórico, com artigo e letra maiúscula: o 11 de Setembro. A inauguração do Memorial na semana que vem marca os dez anos desse fato.O lugar é formado por dois espelhos dágua com cerca de 4 mil metros quadrados cada um, marcando os pontos onde antes estavam as Torres Gêmeas. Nos painéis de bronze ao redor dos quadrados estão inscritos os nomes das vítimas, seguindo uma lógica incomum. Em vez da ordem alfabética, eles foram organizados de acordo com o prédio em que as pessoas trabalhavam, sendo agrupadas por laços profissionais ou sentimentais.
Também para marcar os dez anos, o presidente Barack Obama deve visitar cada um dos três locais implicados no 11 de Setembro: o Marco Zero, em Nova York, a região de Shankville, na Pensilvânia, onde caiu o voo 93 da United Airlines, e o Pentágono, no estado da Virginia, atingido pelo voo 77, da American Airlines.
O nome Marco Zero para batizar o terreno onde antes estavam as torres do World Trade Center, o centro financeiro do mundo, não é reflexo da megalomania norte-americana. De fato, ali está o cenário em que uma nova ordem mundial teve início.
"É um marco da história recente", diz o professor Marcos Alan Ferreira, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos, em São Paulo. Os terroristas, que agiram sob o comando de Osama bin Laden, conseguiram alterar a geopolítica mundial, combatendo os norte-americanos porque eles são, aos olhos de alguns islâmicos radicais uma minoria entre os muçulmanos , os representantes de satã. Uma nação distante da Lei Corânica, as regras contidas no Corão.
O 11 de Setembro é com frequência apresentado como o evento que anunciou o século 21. Para a professora de Geopolítica da do Grupo Dom Bosco Luciana Worms, ele deu início às guerras sem uniforme. "Você não distingue quem é o inimigo. São guerras assimétricas, de países contra grupos e você corre o risco de matar amigos ao combater os inimigos."
O escritor Lawrence Wright, no livro O Vulto da Torres A Al-Qaeda e o Caminho Até o 11/9 (Companhia das Letras), explica que os islâmicos radicais "consideram o Ocidente responsável por corromper e humilhar a sociedade islâmica". O ódio começou com o regime secular do Egito, mas não demorou a envolver os EUA, Israel e a União Soviética.