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David Morens

Ex-assessor de Fauci admite esquema para ocultar e-mails sobre a origem da Covid-19

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Anthony Fauci: Ex-assessor do médico admitiu ter ocultado comunicações ligadas a pesquisas sobre coronavírus e à origem da Covid-19. (Foto: Ken Cedeno/EFE/EPA)

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou nesta terça-feira (18) que David Morens, ex-alto funcionário do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e antigo assessor do médico Anthony Fauci, se declarou culpado de participar de um esquema para ocultar comunicações federais relacionadas a pesquisas sobre coronavírus e ao debate sobre a origem da Covid-19.

O Departamento de Justiça disse que Morens, de 78 anos, admitiu uma acusação de conspiração para cometer crimes e fraudar os Estados Unidos. Segundo a pasta, Morens participou de um esquema que buscava driblar pedidos de acesso a e-mails e documentos relacionados às pesquisas sobre coronavírus, à origem da Covid-19 e ao financiamento do projeto de pesquisa que envolvia o Instituto de Virologia de Wuhan, da China, feitos com base na Lei de Liberdade de Informação, conhecida pela sigla FOIA nos EUA, e também as regras federais de preservação de documentos públicos. Ele pode ser condenado a até cinco anos de prisão.

Morens trabalhou de 2006 a 2022 como assessor sênior no gabinete da direção do NIAID, órgão que durante grande parte desse período foi comandado por Fauci. Ele atuava no instituto enquanto Fauci exercia o cargo de diretor, função que ocupou por quase quatro décadas.

Morens foi preso em 27 de abril, em sua residência em Chester, no estado de Maryland, após agentes federais cumprirem um mandado de prisão relacionado às acusações de ocultação de registros públicos. Ele foi algemado e levado ao Tribunal Federal em Greenbelt, onde passou por identificação e ficou detido antes de ser liberado no mesmo dia sob compromisso de comparecimento à Justiça.

O Departamento de Justiça acusou Morens de participar de uma conspiração que começou após o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) cancelar uma bolsa de pesquisa intitulada Understanding the Risk of Bat Coronavirus Emergence. O financiamento havia sido concedido pelo NIAID a uma organização americana, que repassou parte dos recursos ao Instituto de Virologia de Wuhan. Segundo a acusação, o NIH encerrou a bolsa em meio às alegações de que a Covid-19 poderia ter surgido de um vazamento do laboratório de Wuhan. Segundo a Justiça dos EUA, depois do cancelamento, Morens e outros envolvidos passaram a atuar para tentar restabelecer o financiamento e, ao mesmo tempo, combater a hipótese de que o coronavírus tivesse escapado de um laboratório.

Foi nesse contexto que, segundo a confissão apresentada à Justiça, Morens e outros participantes do esquema concordaram por escrito em ocultar suas comunicações do público. Eles previam que as mensagens poderiam ser solicitadas por meio da FOIA e, por isso, passaram a usar a conta pessoal de Gmail de Morens em vez do e-mail oficial do NIH, para trocar comunicações.

De acordo com o Departamento de Justiça, a conta particular foi usada para compartilhar informações internas e não públicas do NIH, discutir esforços para influenciar o órgão a voltar a financiar a organização envolvida, revisar cartas destinadas à direção do instituto e transmitir informações por canais informais a um alto funcionário do NIAID. Os promotores afirmaram que essas comunicações faziam parte das funções oficiais de Morens e deveriam ter sido registradas e mantidas nos sistemas do governo.

A confissão de Morens também envolve a oferta de benefícios pessoais. Segundo o Departamento de Justiça, um dos participantes do esquema enviou vinho à casa do ex-assessor em agradecimento por suas ações “nos bastidores” e sugeriu outros benefícios, incluindo refeições em restaurantes de alto padrão em Paris, Nova York e Washington.

De acordo com a acusação, Morens relacionou o recebimento os benefícios pessoais à produção de um texto científico para uma revista médica no qual defenderia que a Covid-19 teve origem natural. Segundo o Departamento de Justiça, o texto beneficiaria atores que tinham interesse em rebater a hipótese de que a Covid-19 teria nascido de um vazamento de laboratório.

Quando foi indiciado, em abril, Morens respondia a cinco acusações, incluindo conspiração, destruição de registros em uma investigação federal e ocultação de documentos.

Fauci se recusou a responder perguntas sobre a Covid-19 no Congresso

Fauci voltou ao centro das investigações sobre a pandemia nos Estados Unidos, após ter se recusado a responder a diversas perguntas durante um novo depoimento no Senado dos EUA sobre a resposta americana à Covid-19 e a atuação de autoridades de saúde durante a crise sanitária. O médico invocou repetidamente a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege uma pessoa de produzir provas contra si mesma.

A recusa provocou reação entre parlamentares republicanos, que aprovaram o encaminhamento de uma acusação de desacato ao Congresso. O senador Rand Paul também afirmou que pretendia levar o caso ao Departamento de Justiça.

Fauci já vinha sendo investigado pelo Congresso por sua atuação durante a pandemia, inclusive em questões relacionadas à origem da Covid-19, às pesquisas com coronavírus e ao financiamento de projetos ligados ao Instituto de Virologia de Wuhan. Em 2024, ele prestou cerca de 14 horas de depoimento a uma comissão da Câmara e depois voltou ao Congresso para uma audiência pública.

Em um de seus depoimentos ao Congresso, Fauci afirmou que Morens não atuava como seu assessor em questões de política institucional ou outros assuntos substantivos e reconheceu que várias das condutas atribuídas ao ex-funcionário estavam erradas.

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