Terrorista da Noruega cita o Brasil em manifesto| Foto: AFP

Num manifesto de mais de 1.500 páginas publicado sob pseudônimo na internet, o extremista de direita Anders Behring Breivik, indiciado nesta segunda-feira (25) pelos ataques que na semana passada resultaram na morte de pelo menos 76 pessoas na Noruega, cita o Brasil como exemplo dos supostos malefícios sociais da miscigenação.

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Breivik acusa ainda uma aliança entre marxistas e multiculturalistas de tentar desqualificar por meio de propaganda todos os conservadores como "ignorantes e intolerantes inatos movidos pelo ódio a toda e qualquer minoria", o que, segundo ele, "está tão distante da realidade quanto possível".

Vídeo - Veja a destruição em Oslo

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Fotos - Atentado faz vítimas na Noruega

No texto, o extremista norueguês de 32 anos de idade defende que os conservadores "precisam tomar o poder político e militar por meio de uma combinação de luta armada e democrática" para evitar que prevaleça "um modelo de bastardização contínua, muito similar ao brasileiro", atribuído por ele à mistura de raças.

"Essas políticas provaram ser uma catástrofe para o Brasil e para outros países que institucionalizaram e facilitaram a miscigenação disseminada de asiáticos, europeus e africanos", escreve o suposto autor do massacre na página 1.153 do manifesto intitulado "2083 - Uma Declaração Europeia de Independência", publicado sob o pseudônimo Andrew Berwick.

"O Brasil estabeleceu-se firmemente como um país de segundo mundo com um grau extremamente baixo de coesão social. Os resultados disso são evidentes e manifestam-se pelo elevado grau de corrupção, pela falta de produtividade e por um eterno conflito entre diversas 'culturas' concorrentes", escreve o extremista.

Na opinião dele, a variedade de "subtribos recém-estabelecidas" sabota qualquer esperança de se atingir no Brasil "o mesmo grau de produtividade e harmonia" da Escandinávia, da Alemanha, da Coreia do Sul e do Japão e a aplicação do mesmo modelo na Europa seria "devastador e nacionalmente retrógrado".

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Também segundo Breivik, seria "um crime grave contribuir de alguma forma para a aniquilação, a desconstrução e o genocídio de povos indígenas que são nórdicos por definição".

Mais adiante, ele tenta justificar os motivos da oposição conservadora à miscigenação, à adoção de não-europeus e à imigração em massa de estrangeiros para a Europa alegando que tais fatores seriam prejudiciais "à unidade de nossa tribo".

"Um país que possua culturas competindo entre si acabará fragmentado por dentro no longo prazo ou então se tornará um país permanentemente disfuncional, como o Brasil e nações similares", argumenta o extremista.

Ainda de acordo com ele, "a corrupção e um grau elevado de criminalidade são resultados naturais da falta de coesão social (...) e, quando o Islã é acrescentado a essa mistura, o pior cenário possível passa de um país disfuncional para um estado total de derrota; Sharia e conquista demográfica".

Na argumentação ultraconservadora de Breivik, um país "próspero e estável" depende de cinco "fatores primários", expostos por ele na seguinte ordem: o Islã não pode estar presente; o povo deve ser etnicamente homogêneo; a população deve ser educada e ter QI elevado; políticas culturais conservadoras e nacionalistas devem ser aplicadas, com algum grau de protecionismo financeiro; e políticas de livre mercado, "mas um livre mercado direcionado a países culturalmente conservadores".

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À polícia norueguesa, Breivik afirmou ser o autor do manifesto de 1.516 páginas e disse que os assassinatos por ele cometidos na sexta-feira foram uma ação de "marketing" para divulgar suas ideias de extrema direita. O texto possui diversas passagens do Manifesto do Unabomber, um texto antitecnologia do extremista norte-americano Theodore Kaczynski publicado em 1995 como uma espécie de plataforma ideológica para justificar os atentados por ele cometidos entre as décadas de 1970 e 1990 e que deixaram três mortos e 22 feridos. Breivik, no entanto, não atribui a autoria dessas passagens a Kaczynski e troca "esquerdistas" por "marxistas culturais" e "negros" por "islâmicos".

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Os vídeos foram feitos por Christian Aglen que trabalha em um site de notícias na Noruega

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